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sexta-feira, 16 de julho de 2010

Eu matei meu cachorro!


Eu já ensaio há algum tempo escrever sobre este assunto. Diversos pensamentos embaralhados e confusos me fizeram retardar. Mas, em virtude de tanta polêmica repercutida na mídia sobre o assassinato de Eliza Samúdio e Mércia Nakashima pelo que tange o que levaram esses assassinos a cometerem tal barbárie eu me absolvo do crime que cometi contra o meu lindo e admirado cãozinho poodle. Ainda que o meu ato me condene interiormente e minhas lembranças me desmintam.
Algumas vezes me pego relembrado deste dia fatídico, lágrimas me saem dos olhos sem nenhum pudor.
Para algumas pessoas pode parecer doideira, idiotice ou coisa parecida. Entretanto, me refiro a um fato já concretizado que fui autora.
Jobim é assim que eu chamava meu lindo poodle de pêlos negros e que tinham temperamento agressivo. Viveu entre nós quatorze anos e teve vida de rei canino.
Uma bela manhã de um verão escaldante observei algo estranho dentro de sua boca e não me pareceu grave mas mesmo assim resolvi levá-lo ao veterinário. Mas para tristeza minha era muito pior. Era metástase no osso! Precisamente na mandibula inferior. A parti daí começou a busca em poder salvá-lo ou amenizar sua dor. Foram diversos médicos, tratamentos diferenciados e por final a quimioterapia.
Apesar de todo gasto e desgaste físico tanto dele quanto meu, não houve se não a sentença que me dera o veterinário.
Sacrifício!
Isso mesmo a imolação de um inocente. Em suma, sacrificá-lo!Sem defesa e sem misericórdia!Seria sem dor e seria ele dormindo. E foi assim que o Jobim partiu aconchegado em meu colo. Seu corpo franzino e debilitado estava protegido sobre os meus braços. Ele dormiu e depois foi embora para sempre. Senti seu corpo morno esfriar e ficar rígido.
E o vizinho feliz escutava esta linda música de Tim Maia: Primavera
Quando o inverno chegarEu quero estar junto a tiPode o outono voltarEu quero estar junto a ti
Porque (é primavera)Te amo (é primavera)Te amo, meu amor
Trago esta rosa (para te dar)Trago esta rosa (para te dar)Trago esta rosa (para te dar)
Meu amor...Hoje o céu está tão lindo (sai chuva)Hoje o céu está tão lindo (sai chuva)
Chorei compulsivamente. Eu matei meu cachorro!
Todos tentavam me consolar e encorajar. Ninguém sabe quanto para mim foi cruel e doloroso. Ou melhor só quem nutri um sentimento de amor verdadeiro sabe do que eu estou falando. Com certeza eu não fui a primeira e não serei a última a tomar este tipo de resolução na vida de um ser. Um ser que pertence a Deus. Afinal tudo está sob o olhar de Dele!Tudo lhe pertence e é Ele que determina o fim.
Então me senti em dívida com DEUS.
Fico me cobrando se minha a atitude foi correta. E questiono sobre o que passa pela cabeça dessas pessoas que mataram Eliza, Mércia e tantos outros crimes que chegam a nós pela mídia. O que se passa nos corações dessas pessoas?
Em particular a jovem Eliza que teve na morte um desfecho macabro, uma estória de filme de terror. Não importa seu comportamento de vida. Não podemos julgar por sua escolha de vida. Mas devemos temer os seus carrascos. Desprovidos de sentimentos e unidos a um sentimento de terror, que envolveu drogas, dinheiro e orgia. É isso que precisamos reavaliar.
Sentimentos!
Sentimentos que uniram pessoas para o mal. O mal sendo protagonista de um desfecho de vida. Muitas vidas...Eliza Samudio, Mércia Nakashima, Isabella Nardoni,Daniella Perez e tantos outros que fizeram parte deste quantitativo absurdo de maldades.
O que os olhos não vêem o coração não sente! Quem não conhece esta frase?
É verdade! Não podemos sentir sentimentos daquilo que não temos conhecimentos. Entretanto, somos providos de sentimentos e o que vem até aos nossos conhecimentos, somos capazes de discernir o que nos agrada ou não.
Debalde, seria se não nos comovêssemos com tanta covardia que se vê e se escuta por ai. Mas felizmente a maioria de nós estamos chocados com tanta covardia e crueldade no que se refere a frieza das pessoas que cometem este tipo de crime.
Os jornais todos os dias nos mostra a crueldade em que vive o ser humano. Então eu fico me perguntado que essência é essa que nos faz semelhantes a nosso criador. Não faço apologia a religião nenhuma pois penso que religião nenhuma salva ninguém. E também não acredito nelas.
O que nos salva são nossas condutas e esta não se aprende em religião.
A maioria de nós se deslumbra com o mundo e suas vitrines transparentes nos cobiçam com o poder, dinheiro, sexo e drogas!
Então para onde se refugia o ser perturbado e desorientado. O que fazer para pertencer a este mundo de faz de conta? Colocar a própria vida em jogo e engravidar de um bandido só porque ele é o goleiro do melhor time do Rio de Janeiro?
Eu matei meu cachorro e me condeno por isso! E quem vai condenar esta quadrilha de bandidos? A Justiça dos homens que ameniza a pena? A Justiça de Deus?
Não, eu não sei!A única certeza que eu tenho que eu matei meu cachorro!

(Luiza Lozada)