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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

As pérolas de nossas vidas...


Hoje de manhã, ao ver o dia lindo, pensei na vida. Está um pouco complicada, é verdade! Devido ao nosso próprio egoísmo. Mas, ainda assim, é bacana termos a oportunidade de estarmos aqui e perceber que ao caminhar pela estrada da vida, encontramos amigos que são pérolas em nossas vidas...
Acho que já nasci analítica e talvez, por esse mesmo motivo, perceba que a maioria das pessoas está sempre mascarada, escondida entre vaidades e interesses.
Entretanto, às vezes, por sorte ou recompensa, encontramos pérolas. Elas passam desapercebidas, pois são discretas e raras. Mas, feliz daquele que consegue, nesse mar de turbulências, encontrá-las nas conchas da vida.

As pérolas são pedras preciosas raríssimas e por isso é difícil de nos enganarmos. Quando as achamos, percebemos que também somos uma pérola. Porque só reconhecemos nos outros o que já existe em nós... a reciprocidade.

Eu gosto de falar do tempo...



Eu gosto de falar do tempo...
Apesar de não muito entender porque o tempo que levamos para aprender nos parece uma eternidade quando somos jovens e quando nos encontramos em idade madura, esse tempo nos parece pequeníssimo para colocar em ordem coisas que deixamos de fazer ainda no animado “verão”.

Sou uma questionadora sobre o tempo e fiz dele a minha própria analise. Agora tento correr com o meu tempo para deixar tudo resolvido. Quase tudo!
Hoje os meus cabelos estão sendo tingidos pela idade que me empurra para um novo ciclo. Um ciclo já tão conhecido e esperado por todos, mas para quem adentra a ele é quase uma tortura. Salientaria mesmo como um tormento físico... Chegam as artroses, a perda de massa muscular, a pele flácida e todo tipo de doenças que acomete quando não somos mais jovens... 
O corpo físico fica cansado, reclamando a jornada do dia-a-dia. 
É o tempo...
Tempo sempre foi uma palavra que me fascinou. Apesar de sua complexidade e de seus mistérios. Complexidade, porque é nele que percebemos a medida ou a duração de algum fenômeno em que representa também algum período de nossas vidas que ficou para trás ou está acontecendo de fato agora ou ainda, nunca saberemos se vai acontecer se não vivermos o futuro. Mas o que é o futuro? Sei lá... acho que o futuro será sempre visto como algo que nunca iremos viver, no ponto de vista da posteridade. Não sei se me fiz objetiva nessa minha apologia sobre o futuro, entretanto, acho que o término da vida simboliza muito bem o quero dizer, ou melhor, escrever.
O tempo também é complicado, porque é nele que fica o que não queremos esquecer e dependemos dele para esquecer o que não queremos lembrar...
O tempo leva nossa infância embora, trazendo com ele a fugaz juventude e depois retorna levando-a embora para achegar-se à velhice e para alguns o tempo não permite conhecer a carquilha refletida no espelho e de novo o tempo trazendo definitivo a incógnita morte.
Ah! O tempo é fabuloso às vezes, nos trás frio e calor. Alegrias e tristezas. Uma dualidade de coisas e fatos.
O tempo é dividido pela própria natureza para agraciar o que nela está inserido. O tempo não tem pressa e dividi-se em quatro tempos diferentes: as estações. Verão, outono, inverno, primavera.
O tempo é tão rápido e tão veloz que foi preciso dividi-lo em segundos, minutos e horas para aprendermos senti-lo e depois codificá-lo.
O tempo é efêmero, deixa-nos minutos passados a incerteza de uma atitude não tomada, entretanto, nos dá nos minutos futuro a possibilidade de uma atitude certa.
O tempo nos parece tão pequeno quando precisamos de tempo, e tão lentos quando não precisamos dele. O tempo é confuso como o próprio tempo.
É tempo de tudo e é tempo de nada.
O tempo não foi inventado, ele simplesmente surgiu. O tempo da mesma forma que vai embora para uns, ele retorna para outros.
Ah! Tempo...loucura ou devaneio, um tempo passando dentro de outro tempo, um tempo complexo, um tempo esquisito...

Tempo...




Quanto tempo...Terei tempo?
Os ponteiros do relógio
Dançam enlouquecidos
Nos anos findos já esquecidos
Vejo no reflexo do espelho, as carquilhas.
Que adentram na membrana de minha carne
Ferem a vaidade, tange e arde.
Quanto tempo... Tempo conducente
Sobretudo quando a juventude flui
Em ralos da futilidade... Bobagem?
Junto na poeira, viaja no vento.
Sem aperceber o adeus
Sem trazer saudades
Mala da vida, o vácuo na bagagem
Quanto tempo... Tempo estúpido
Movidos nas horas, sem delongas
Indo embora...
O que existe... 
Na madrugada dorme
O que não é mais... 
É esquecido, apodrece
Jazem sob os lençóis de pedra
O corpo gélido, o final que regra.

(Luiza Lozada)

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Eu matei meu cachorro!


Eu já ensaio há algum tempo escrever sobre este assunto. Diversos pensamentos embaralhados e confusos me fizeram retardar. Mas, em virtude de tanta polêmica repercutida na mídia sobre o assassinato de Eliza Samúdio e Mércia Nakashima pelo que tange o que levaram esses assassinos a cometerem tal barbárie eu me absolvo do crime que cometi contra o meu lindo e admirado cãozinho poodle. Ainda que o meu ato me condene interiormente e minhas lembranças me desmintam.
Algumas vezes me pego relembrado deste dia fatídico, lágrimas me saem dos olhos sem nenhum pudor.
Para algumas pessoas pode parecer doideira, idiotice ou coisa parecida. Entretanto, me refiro a um fato já concretizado que fui autora.
Jobim é assim que eu chamava meu lindo poodle de pêlos negros e que tinham temperamento agressivo. Viveu entre nós quatorze anos e teve vida de rei canino.
Uma bela manhã de um verão escaldante observei algo estranho dentro de sua boca e não me pareceu grave mas mesmo assim resolvi levá-lo ao veterinário. Mas para tristeza minha era muito pior. Era metástase no osso! Precisamente na mandibula inferior. A parti daí começou a busca em poder salvá-lo ou amenizar sua dor. Foram diversos médicos, tratamentos diferenciados e por final a quimioterapia.
Apesar de todo gasto e desgaste físico tanto dele quanto meu, não houve se não a sentença que me dera o veterinário.
Sacrifício!
Isso mesmo a imolação de um inocente. Em suma, sacrificá-lo!Sem defesa e sem misericórdia!Seria sem dor e seria ele dormindo. E foi assim que o Jobim partiu aconchegado em meu colo. Seu corpo franzino e debilitado estava protegido sobre os meus braços. Ele dormiu e depois foi embora para sempre. Senti seu corpo morno esfriar e ficar rígido.
E o vizinho feliz escutava esta linda música de Tim Maia: Primavera
Quando o inverno chegarEu quero estar junto a tiPode o outono voltarEu quero estar junto a ti
Porque (é primavera)Te amo (é primavera)Te amo, meu amor
Trago esta rosa (para te dar)Trago esta rosa (para te dar)Trago esta rosa (para te dar)
Meu amor...Hoje o céu está tão lindo (sai chuva)Hoje o céu está tão lindo (sai chuva)
Chorei compulsivamente. Eu matei meu cachorro!
Todos tentavam me consolar e encorajar. Ninguém sabe quanto para mim foi cruel e doloroso. Ou melhor só quem nutri um sentimento de amor verdadeiro sabe do que eu estou falando. Com certeza eu não fui a primeira e não serei a última a tomar este tipo de resolução na vida de um ser. Um ser que pertence a Deus. Afinal tudo está sob o olhar de Dele!Tudo lhe pertence e é Ele que determina o fim.
Então me senti em dívida com DEUS.
Fico me cobrando se minha a atitude foi correta. E questiono sobre o que passa pela cabeça dessas pessoas que mataram Eliza, Mércia e tantos outros crimes que chegam a nós pela mídia. O que se passa nos corações dessas pessoas?
Em particular a jovem Eliza que teve na morte um desfecho macabro, uma estória de filme de terror. Não importa seu comportamento de vida. Não podemos julgar por sua escolha de vida. Mas devemos temer os seus carrascos. Desprovidos de sentimentos e unidos a um sentimento de terror, que envolveu drogas, dinheiro e orgia. É isso que precisamos reavaliar.
Sentimentos!
Sentimentos que uniram pessoas para o mal. O mal sendo protagonista de um desfecho de vida. Muitas vidas...Eliza Samudio, Mércia Nakashima, Isabella Nardoni,Daniella Perez e tantos outros que fizeram parte deste quantitativo absurdo de maldades.
O que os olhos não vêem o coração não sente! Quem não conhece esta frase?
É verdade! Não podemos sentir sentimentos daquilo que não temos conhecimentos. Entretanto, somos providos de sentimentos e o que vem até aos nossos conhecimentos, somos capazes de discernir o que nos agrada ou não.
Debalde, seria se não nos comovêssemos com tanta covardia que se vê e se escuta por ai. Mas felizmente a maioria de nós estamos chocados com tanta covardia e crueldade no que se refere a frieza das pessoas que cometem este tipo de crime.
Os jornais todos os dias nos mostra a crueldade em que vive o ser humano. Então eu fico me perguntado que essência é essa que nos faz semelhantes a nosso criador. Não faço apologia a religião nenhuma pois penso que religião nenhuma salva ninguém. E também não acredito nelas.
O que nos salva são nossas condutas e esta não se aprende em religião.
A maioria de nós se deslumbra com o mundo e suas vitrines transparentes nos cobiçam com o poder, dinheiro, sexo e drogas!
Então para onde se refugia o ser perturbado e desorientado. O que fazer para pertencer a este mundo de faz de conta? Colocar a própria vida em jogo e engravidar de um bandido só porque ele é o goleiro do melhor time do Rio de Janeiro?
Eu matei meu cachorro e me condeno por isso! E quem vai condenar esta quadrilha de bandidos? A Justiça dos homens que ameniza a pena? A Justiça de Deus?
Não, eu não sei!A única certeza que eu tenho que eu matei meu cachorro!

(Luiza Lozada)