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domingo, 8 de outubro de 2017

DESATINO





Pai !Por que vendar os nossos olhos?
Para tão grandes mistérios
Guardados – Invólucros!
Obscuridade!
Grandes segredos
Caminhos secretos

Que sentimento é esse?
Apertando o peito
Que dói!Lateja!
O nada incomoda
O muito dá medo
Pai! Tire-me a venda dos olhos

Quero saber o motivo
Dessa ansiedade
Desse vazio no coração
Válvula enigmática, mística
Esplêndida!
Estranha máquina – Humanística!

Pai! Devolva-me! Suplico!
O atino
Que dele já não me lembro mais
Estão esquecidos
Excluídos
Do meu orgulho contido

Quero sentir saudades
Olhar para frente
E também para trás
Sentir que a felicidade existe
Maravilhosamente simples – Assaz
Enquanto viver- Em paz !


A VELA DA VIDA






Fecho os olhos – Ponho-me na escuridão
Vejo-me por inteiro neste momento
Vasculho, tateio o que ficou para trás
Na longa estrada decorrida que precisa demão

O tempo, as horas – Todas intervalos destes
Vêm em reflexos os perímetros contornados
Nas palavras soltas, sem nexo – Plexo
Na construção de um castelo no ar – Implexo

Pensamentos doídos, pedras atiradas – Soltas
Agrupadas em silencio da rudeza, torna-volta
Que o arrependimento não desfaz, agora.

Ainda de olhos cerrados, submerso em interrogativas
Navego entre nuvens existências – Sigo
Bruxuleando a vela da vida - Prossigo









domingo, 1 de outubro de 2017

Relato de um filho abandonado.










Vivo numa dimensão
Ainda que não posso vê-lo
Sinto-o
Exibe-me a luz
Estou num labirinto – Confuso
Não acho a saída
Quem fui eu ontem?
A pretexto de que e por que?
O presente está mórbido - Túrbido
Distante – O manto
Embaçado – Um tanto
Sou um ponto isolado no mundo
Esquecido - Esquisito
Onde estão as fadas?
Os santos e os guardas?
Que não me acolhe – E abraça
Quem fui eu ontem?
Pois muito já sinto-me culpado
Vejo na linha imaginaria
As bocas transparentes – Mudas
Não me sopram os segredos
Não apressa o socorro
Amenizando os medos
Momentos olvidos
Fecho os olhos
Abraço-me ao calor do sol
Sinto o seu suspiro morno
O teu olhar sobre mim
Luzes do seu contorno se achegam
No tímido vento
Aquecendo o meu pranto devagar – Lento
Quem fui eu ontem?
Merecer tanto castigo
O desprezo e o descaso
Tenho uma vaga lembrança
Uma sensação de que sei
Uma certa temperança
Nas respostas – Das quais perguntei
Ah! Que lembrança me traz
O roncar do pequeno aviãozinho
Estático – Eu o ouço tão longe
Uma saudade – O vazio, o nada
Sentimento de uma triste canção
Paliado em outros sons – Ouço
Inaudível a voz interior – Não sei
Às vezes, parece um delírio
A necessidade do corpo – Um vicio
Que domina e maltrata
Um sentimento de culpa
De um pai que abandona seus filhos

Sentimento que tenho por meu pai