sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Saudade
Naufrágio de Almas
Naufrágios de almas!
Lambe-me a alma!
Com sua saliva espumante
Salgada, tragando-me os nervos.
Traídos pelo desespero
Líquido que espreme
Todos os órgãos e almas
Sem preconceitos
Com mãos de malfeitor
Que aperta os braços e pernas
Que adormece às vezes os sentidos
Por vezes inunda, por vezes
Na maioria os sugam
Que fazes tu?
Descaso do sofrimento e dor?
Quem és tu deus solitário?
Legião de deuses solidários?
Que assistem e sacolejam
Corpos mortos e frios
Talvez o maior de todos
Imensurável cemitério liquido
Indubitavelmente o melhor
De todos os “pescadores”
Que seduz e reluz
Com seus olhares de prata
Divisando suas presas
Lá vai!
No ninar das ondas, os barcos
Os pescadores e suas redes
São suas próprias iscas.
Quantos mais já não dormiram
Em seus braços?
Em nós atados e laços
Quantos de nós tememos?
E lutamos junto de ti
Ganhando-te nos braços
Braçadas e pernas.
Tu não permitiste sequer, o gozo
Muitos cederam por fastio as tuas lambidas
Carícias e o roçar nas entranhas
Não percebendo a façanha
De um traidor.
Oh! deus das águas!
Que fulmina almas
Que poderes possuem?
Qual categoria de humor traz nos dentes
Estúpido, negro e horror
Quantos de nós?
Já sentimos seu frescor
O abraço de um sedutor
Oh! Mares! Mares!
Lambe-me a alma!
Com sua saliva espumante e,
Salgada
Meus delírios ofuscam os olhos
Sinto o amargor dos corpos, engolidos.
Incomensurável
Tão-somente! Abundantes gotas
Homogeneizadas ao sal
É uma grande porção fatal.
Fascinante, estonteante.
Os pensamentos criam asas
E esbarram-se
Na linha do horizonte
Estou cansada.
O sol aquece e adormece a coragem
Ah! Mares! Mares!
Que fazes tu além de sugar,
Violentar e seduzir corpos?
E quando não os espraiam
Arrota-os nas orlas, inchados
Perfurados por seus dedos marinhos
Quantos ainda estarão a seu bel-prazer?
Lambe-me a alma!
Com sua saliva espumante e salgada
Porque estou triste
Tristeza que não é só minha
Comoção de fluidos
Gotículas e mais gotículas
Libertadas ao mar
Arrebatadas pelo desespero
Arrastadas.
Levadas impetuosamente pelo medo
Acrescentadas, adicionadas.
Ao volume do mar.
Ah! Que fazes tu!
Nesse grande mistério, o segredo
Roubando-lhes os corpos
Tomando-lhes as almas
Sugando-lhes as gotas lacrimais
Acrescentada a ti mais gotas
Gotas, mais gotas.
Uma imensidade integrada de clamor
Nos soluços aflitos
Ah! Quanta beleza!
Sobre vossa magnificência!
Durante o dia, aquecido pelo sol
Encoberto por um lençol azul
À noite, encoberto por luzes de prata
Suas marolas, cantarola ao pé do ouvido
Abafando milhares de gemidos.
Visto do alto, um exânime amante
Um sedutor, arrebatador de cadáveres.
Oh! Imenso espelho d’água!
Lambe-me a alma!
Com sua saliva espumante e salgada
Misturadas com tantas lágrimas...
(Luiza Lozada - 29/07/2001)
ACRÓSTICOS XLIV

segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Doze andorinhas na janela...
Quebra-cabeça!
Silêncio Interior

Fecho os olhos
O silêncio invade meu ser
Ambos no vácuo, no nada...
Transcendemos por lugares desconhecidos
Questionamos...
Eu cega...Ele mudo ...
Ele tem em mim um veículo de transporte
Eu nele a meditação
E juntos viajamos...
Temos saudades
Vasculhamos o passado
Recordamos
Vivenciamos um tempo saudoso
Um tempo vivo na mente
Sempre vivo...Sempre vivo...
Latejando...
Época que não volta mais...
Obstante tempo
Necessitado no presente...
Pensamentos...
Neste momento entorpecido
Eu, o silêncio...Buscamos o tempo
Unificamos...
Unificados...
Exatamente agora sendo três...
Inumados
Na própria loucura
Sinto os neurônios evaporando no ar
Minha atonia mental
Sempre... Para sempre!
Questionando novamente...
Buscando no passado
Uma saudade que muito dói
Pela ausência...Pelo vazio presente...
Que danifica a alma
Que danifica o corpo
Em transe ...Adormecida no passado
Anestesiada pelo silêncio
No tempo agora desconhecido
Tridimensional
Ali estática...Superficialmente presente...
Eu, o silêncio e o tempo
Intangíveis
Unificados
Somos um átomo...
( Luiza Lozada - 18/04/04)
sábado, 31 de janeiro de 2009
Aos meus companheiros...




