Páginas

domingo, 26 de novembro de 2023

Deserto!

 


Entre sóis e luas e o passar pelas estações da vida, nunca pensei entrar por este deserto sombrio, com tantas indagações, questionamentos e tantas incertezas ao despertar das minhas sessenta e quatro manhãs, nem sempre nebulosas decerto. Entretanto, existe um vazio imensurável, os “porquês” não respondidos, as dores mal curadas, as palavras engolidas, os olhares de reprovação, enfim...

Ao entrar neste vazio da alma, acredito que é normal este autoquestionamento. Não é a solidão que me incomoda, desde muito nova sempre gostei dessa imersão, desse abrigo interior que sempre me vi, ainda que cercada por pessoas. É como um mergulho em águas turbulentas e não claras, e me traz à tona como se não pertencesse a lugar nenhum. É como estar à deriva, o corpo boiando jogado de um lugar para outro sem destino, sem rumo.

Fecho os meus olhos acordados e busco essas respostas: de onde eu vim? Por que estou aqui? Por que tenho que passar por esta experiência? Para onde vou quando sair daqui? E nada ouço... a não ser o canto de um pássaro qualquer lá fora que diz estar por aqui também...

São muitos barulhos, ruídos, todos questionáveis...

Enquanto isso vou caminhando sem destino pelo meu deserto!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

MEMÓRIAS!

                                                         




Memórias!

 

Meus pensamentos bailam

Esvoaçam... e se perdem num tempo vazio

Moldurado por cenas, rostos, bocas e mãos

Objeto de uma saudade doída

Recobrado por imagens longínquas e perdidas

Imposição do tempo que conjuga o verbo esquecer

Aliado ao vácuo dos dias e noites frias

Suscitando lembranças dormentes, adormecidas


Minha caixinha de recordações

Envelopa cartas desbotadas e fotos sem brilho

Minha mente vivenciando fatos mortos

Ofuscado pela cortina de fumaça do tempo

Restauro por segundos momentos inesquecíveis

Imersão de um tempo dentro do tempo

Ancorado na saudade, na ausência, nas interrogativas

Sem fulgor, sem vida e sem cor


Minhas memórias sopradas ao vento

Entrelaçadas no presente imaginário

Mergulhada no passado umbrático

Oxiopia de um tempo absorto

Redirecionado para o meu mundo quimérico

Ilusão minha que me guardo no silêncio

Abdicado por instantes, descortinando o pretérito

Silencio...me abraço e revivo minha nostalgia...


Luiza Lozada






terça-feira, 27 de dezembro de 2022

O Último Olhar!

 



Muitos dias já se foram depois de ontem

No lembrete ficou o seu sorriso calado

Do abraço morno de outrora afagado

Imagens recortadas de difíceis junturas

Vejo a cor verde dos teus olhos na pintura

Refletido no teu último olhar...os meus

A imagem gélida... obdura do adeus...

domingo, 4 de setembro de 2022

VENTO

 



Eis-me aqui, Vento!

Abraça-me e aqueça-me em seu sopro morno

Murmure em meus ouvidos

Os Segredos de Deus, pois já me esqueci…

Esqueci de minhas origens

Esqueci de onde vim e para onde vou

Encontro-me nesse emaranhado de estrelas

Apesar de tanta luz, estou no escuro

Minha cabeça gira unida ao Globo Maior

E descalça em cima de uma linha umbrática

Presa por um muro invisível

Confusa, busco um caminho

Em devaneio não sei onde estou…

E distando aqui desse jeito…

Destarte, sem grandes efeitos

Continuo nessa esfíngica caminhada

Aprisionada por carnes, músculos e ossos

Eis-me aqui…

Oh! Vento!

Acorrentada na minha própria ignorância.


quarta-feira, 21 de julho de 2021

A Andarilha

 



Júlia perambulava entre ruas desertas, prédios e casas em ruínas se despontavam a cada passo. Assustada e sem compreender aquele momento que se desnudava em tragédia e abandono, supôs que morrera e se encontrava no inferno. Olhou tudo em sua volta e não viu nada que a arremetesse a sua vida. Suas roupas surradas e pés nus, teve a certeza que estava aprisionada em seus delírios. Ouviu um sussurro frio nas pontas das orelhas, ficou quieta por instantes observando o sopro do vento adentrando e circulando pelos escombros espalhando uma poeira sem cor. Sentiu umedecer suas faces com leves gotículas geladas imediatamente intensificadas. Desperta, levantou-se da cama e correu para fechar a janela.

Amanhecera em tempestade.


terça-feira, 20 de julho de 2021


 






Desmanchou-se em suas entranhas e gozou o mais profundo de sua macieza.


Desmanchou-se no colo assentado e gozou no mais profundo de seu psique.


Deixou ser vasculhado até o âmago de suas entranhas e adormeceu.







 



A poupa amarela e suculenta foi devorada quase até o caroço. O que sobrou ficou preso nos dentes.