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sábado, 13 de maio de 2017

O meu silêncio...












Estou na minha varanda a contemplar o nada. Ao redor muitas bananeiras, mangueiras, jambeiros e uma afinidades de verdes mesclados. Faço desta paisagem o meu paraíso particular.
Para completar este palco de seres vivos, contracenam algumas espécies de pássaros, os seus cantos dão a sonoridade à cena. Eu a única personagem de pensamentos estáticos, com olhar vago. Entretanto, vasculhando o meu interior, busco um caminho, indagando como se chegar a bem-aventurança.
As bromélias dão um tom sutil com suas cores vermelhas, rosas e amarelas. O céu azul claro se desnuda aos poucos e as nuvens sopradas pelo carinhoso vento vai as conduzindo numa dança de sedução para não sei onde. Acompanhando o desfecho do passar das horas, a façanha, a bela, a misteriosa natureza que meus olhos testemunham e esqueço um pouco da tragédia que aniquilou milhares de pessoas do outro lado da Terra.
Esqueço-me no silencio...
Neste meio-tempo, o silêncio me traz Deus. Traz também a saudade de meus amigos, dos meus ídolos, do meu avô e principalmente de minha querida irmã que partiu para um mundo desconhecidos ou adormecidos por nossas mentes. O mundo espiritual que inerente a minha personalidade, creio veemente que viemos de lá com o bilhete de regresso já agendando para a volta.
Submersa em devaneios não percebo que a majestade, “o Sol”, circunda-me com seus raios aquecendo a alma, os poros.
Já é tempo! Tenho que cuidar da vida. Efêmera como as horas, quanto menos esperamos vai embora...








Luiza Lozada 01/06/2003

sexta-feira, 12 de maio de 2017

O sentido do texto


Onde estou?
Pra onde eu vou?
Não sei...
Meus dedos dedilham as teclas
Sôfregos, redigindo os meus influxos 
Advindo da escrita uma mensagem
Escondida no meu silêncio, confusa
Enleando as palavras num sentido
Eu acho...

Onde estou? 
Pra onde eu vou ?
Não sei...
Nos delírios sem plexos, sem nexos
Não me encontro nesta hora 
Presa neste labirinto, procuro, cato
Idear entre interrogativa e inquietação
Não acho...

Onde estou?
Pra onde eu vou?
Não sei...
Fecho os olhos e vejo...
As paredes de concretos refutando a razão
Aquartelada no regimento interno da ilusão
Apalavrando sentidos em conectivos, visão
Descrevendo, desenhando comoção
Exaltando minhas mãos em comunhão
Eu acho...

Onde estou?
Pra onde eu vou?
Não sei...
De um lado para o outro no processo da escrita
Teclando tipos, tipologia, tipos
Imprimindo números,símbolos e letras
Refugiando-me ao sótão da equação
Aprisionada em  função desconhecida
O escritor edita os seus escritos 
Lidos e relidos ao pé da letra.


(Luiza Lozada - 04/05/2017)

A lição de casa


Ao longo de toda esta minha existência, pude observar que não fazemos a lição de casa. Este desleixo não é raro!
Comumente na convivência com a família repetimos sempre os mesmos erros. E assim de geração para geração, damos continuidade ao desacerto. 
Em particular, cresci dentro de uma linhagem  grande.
A falta de compreensão já começa nos lares e não nos damos conta disso. O egoismo, a prepotência, a inveja, a falta de boa vontade, a discriminação, a intolerância são atributos de toda família, quase sempre. Opinião própria nem pensar. Fala-se de amor incondicional. Todo amor é condicional. Cresci com algumas inverdades incutidas na minha mente. Nada está em conformidade com a verdade. Nada! Tudo é conjectura humana. 
Não pode comer isto, ou beber aquilo! Isso é pecado! E todos pecamos, por inteiro! Em verdade pecamos sempre por excesso. Assim eu vejo na praticidade o pecado.
E quem está certo?
A verdade e a mentira são irmãs não uterinas. O que é verdade pra mim, pode ser mentira para outrem.  Um exemplo simples, ainda no século XXI, alguns duvidam da ida do homem a lua. Verdade ou mentira?
É como a imagem subliminar que não é vista conscientemente.  Se viu deixou de ser.
As imagens subliminares são  uma pseudociência, isto é, teoria da conspiração. Ai tem gente que inventa um monte de merda, asneira. Aquilo é coisa do diabo, do capiroto e coisas afins.
Só uma religião salva! Eu cresci com este paradigma. E o globo girando disseminando a sandice!. Quando na verdade existem milhares em todo o planeta Terra.
Por causas das diferenças não respeitadas, minha família grande, ficou subdividida. Como amar o próximo se não sabemos amar um membro da família? Presunção de algo imposto sobre certo ou errado, sem dúvida!. Acho que ninguém tem culpa!
Corações  partidos, excluídos e foram saindo de fininho alguns. Nunca mais os vimos. E essa violação de opinião própria restou nisso,  é obvio. Não respeitar as diferenças e as ideologias de cada ser pensante, é o inicio de uma guerra sem fim. Todos os dias temos conhecimento que alguém morreu por isto. De quem é a culpa? Provavelmente alguns ergueriam as suas mãos afirmando que estavam certos. 
Aí ficamos indignados com a nossa sociedade capitalista, consumista. Todos querem ganhar muito e gastar também! 
São heranças familiares. Um povo totalmente alienado. Estamos seguindo a vida com “tapas” como os cavalos. A grande maioria guiados sem saber para onde ir. Se não respeitamos a religião, a diferença e a ideologia de cada membro familiar, como nos comportaremos na sociedade? 
Na política está o esboço de cada um do povo. Sem educação, sem amor próprio e sem respeito.
Somos civilizados! Outra grande mentira!  Não sabemos torcer por um emblema sem que haja sangue em troca de uma derrota ou vitória. Xingamos, agredimos e matamos o próximo por nenhuma razão. Todos queremos ser donos da verdade!
Vivemos um verdadeiro caos. Nos lares, famílias, pátria e em opinião. Ninguém respeita mais nada. 
Brigam por monopólio de Deus. Uns enriquecem vendendo a palavra Dele. Outros matam. Os mais audaciosos se implodem para chegar no outro plano deflorando onze mulheres virgens. Esse é o premio da carnificina.
Tolices! Nos deixamos ser conduzidos por “guias cegos” e esses na maioria das vezes não valem o que o gato enterra. 
Assim crescemos, somos lapidados pela família e polidos pelas circunstâncias que ela vai nos direcionando. 
Herdamos dos nossos ascendente, suas crenças, verdades e mentiras...

Em memória de minha amada mãe



Entre luas e sóis
Meus pensamentos se fundem  

Memoráveis épocas, agora recordações
Em poucas fotografias, vir à lembrança
Muitas delas já sem cor e sem o brilho do seu rosto
Óbice para eternizar a gravura, o tempo
Realçando  o seu sorriso e a candura
Imposta pelo tempo a resistência
Adorno para a recordação, eu diria 

Diante dessa grande lacuna
Eu te penso sempre, em todo tempo

Minha inesquecível amada mãe
Intento é meu desejo sempre
Narrar em tão poucas palavras o seu ser
Harmonizando ideias e pensamentos
Advindo de minha alma saudosa

A sua ausência na minha mente presente
Mãe, eu tenho muitas saudades!
Acordamos todos dias em mundos diferentes
Deambulando em meus questionamentos
A mente vazia aviva,  uma época existente

Mastreando em sonhos o desejo
Abraçada num único desejo
E sentir entre distâncias o seu afago maternal

Intangível este tempo, eu sei...
Realçados na natureza
Enredado sinto as nuanças das flores
Nalguma, talvez o perfume
Imbuídos em devaneios, sonho... 
Caminhando entre arbustos, 
E te vejo resplandecente, linda
  
Diante da  pessoa que foste aqui...
Alma bondosa, caridosa sim

Sempre foi presente em nossas  vidas 
Incontáveis foi sua paciência conosco
Lição nos deixou pra vida
Venerada por nós, filhas e netos
Asseverando esse amor para sempre

Assim continuo em ti, em mente
Resigno-me a esta dor incomensurável
Ardida no peito e na alma
Umedecendo os meus olhos quase sempre
Jamais em tempo algum esquecido
O nosso amor eternizado...

(Luiza Lozada - 30/04/2017)

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Mais uma andorinha voejou do seu ninho...


Hoje todos ficamos muito tristes e, talvez, mais questionadores e pensativos. Alguns eu diria mais. Refletir sobre a partida de alguém que foi importante para todos nós, dói.

Das onze andorinhas que povoam esta gleba familiar, tia Miriam, irmã de minha mãe, deixou saudade para todos nós da família e amigos. Indubitavelmente, para seu companheiro de vida, para seus filhos e para os seus neto esta perda é mais dolorosa. Talvez uma neta lhe recorde daqui alguns anos, nas lembranças de imagens congeladas em minúsculos pixels por ser muito pequena para entender o atual acontecimento.

Esta andorinha deixou seus irmãos saudosos da época de suas infâncias, juventudes e convivências de um período remoto e também atual. Neste último, agora mais amadurecidos e lapidados pela vida. E por suas mudanças ocasionais.

O mais relevante de todo este momento é sua partida para a pátria espiritual. Um retorno que todos iremos fazer pela lei da vida.
Na Sapiência de Nosso Criador é um fato consumado, porém, não compreendemos por sermos ignorantes e pequeninos na percepção do fato em si.

Lamentamos a ida de nossos entes queridos, por todos os motivos. A presença que não teremos mais, a falta cometida e a indulgência não realizada há tempo. São diversos fatores questionáveis sobre a existência da continuação da vida.

É instintivo não querer pensar nestas coisas. Quando na realidade, para todos nós, deveria ser um dever de casa. Saber que um dia tudo acaba. Entretanto, temos medo de pensar nisto. Adiamos essa reflexão para mais tarde, no intuito de tornar mais fácil a sua compreensão ou, talvez, para deixá-la menos lancinante. 
Contudo, deveríamos apropriar o seu propósito. 
Que propósito?

Que a vida é um ciclo. Nascemos, morremos e renascemos com intuito de alcançar a plenitude.
Acredito nisso!

As recordações são para os que ficam. O corpo físico é uma roupagem que fica puída, gasta e velha. Decerto que o espírito adentra no plano espiritual despido de todas as suas paixões materiais.

Já na pátria de origem, as malas estão vazias, sem lenços e sem documentos.
Desnudos de nossas próprias vaidades, partimos!

Ardilosos, ainda em carne, observamos sem entender o porquê de tudo isso. Decerto que nenhum de nós saberia entender e dizer algo para consolar esta dor. Muito menos explicar esta imensa lacuna que fica em nossas vidas.

Eu diria: "um breve adeus..."

(Luiza Lozada -  30/04/2017)

Em memória de tia Miriam


Escrever sobre essa perda
Manifesta em minha mente

Minhas lembranças de ainda menina
Embora se passaram muito anos
Me recordo dela ainda jovial
Os cabelos pretos, lisos
Rosto e pele de cor trigueira
Impecável no lar, que costureira!
Amadas por todos...eu a vi amadurecer

Derrotou todas as adversidades da vida
Embora tenha perdido para sua doença

Mesmo assim foi guerreira,as vezes destemida
Irrefutável foi sua luta contra a afecção
Reagiu e por vezes a venceu
Insistiu em vencê-la e quase conseguiu
Ah! maldita doença, traiçoeira
Mexeu com seus brios e vaidades

Destarte, veio de mansinho e desbravou
A sua pele morena e seus lindos cabelos

Salutar foram todas as orações
Impedindo talvez a brevidade de sua partida
Lembro-me de seu olhar triste, assustado!
Vimos seu sofrimento de muito perto
Assim ia se despedindo, de certo!

Da manhã de um certo dia, partiu sorrateiramente
Inspirou e expirou sua vida, inconscientemente
Alçando voo o seu espirito em alegria
Serenamente se livrou do corpo doente, como uma bela melodia...


(Luiza Lozada - 25/04/2017)

Nossos anjos


Os anjos de nossas vidas
Entre nós viveram, passaram alguns
Nem todos os conheceram
O seu tenro sorriso
Sua morte nos fizeram prantear
Nosso Elsinho...menino mansinho
Viveu entre nós... tão pouquinho
Um tempo curto, porém inesquecível
Aquele garotinho com cara de anjinho...
Nossos anjos!
Alguns desses anjos ficaram somente no ventre
Mergulhados em líquidos quentes
Fazendo suas mães, sonharem
Anjos presos por cordões umbilicais
Nem chegaram entrar no mundo material
Nossos anjos, todos anjos!
Não o conhecemos,
Não vimos o brilho de seus olhos
Nem o sorriso de suas bocas
Na morte prematura
Sofrimento...lágrimas maternais
Anjos memoráveis, anjos adormecidos
Que nos conhecem e vela por todos nós
Somos conectados, correlacionados
Encarcerados em histórias, mal e bem resolvidas
Existimos iguais e também diferentes
Somos um quadro familiar.
Genealogia...ascendente e descendente
Escrevendo nossas tramas, sem dramas.
Razão procedente...

(Luiza Lozada - 30/04/2017)

Ver a vida passar


Que dizer-te! Quão triste é esta dor!
A dor da perda! A dor da morte!
O corpo sofre... em pensamentos torpes
Vasculha, remexe, as imagens gravadas na mente
Os pensamentos se fundem, passado e presente
Delírios, indagações são permanentes.

Que dizer-te! Quão triste é esta dor!
Vão se passando, segundos, minutos e horas
O frio da alma se aconchega no inverno
Derramando nos rios, lágrimas enregeladas
Desta dor imensurável que lateja no peito
Trafegando nas veias, vasos e artérias...efeito

Que dizer-te! Quão triste é esta dor!
Achega-se o dia, a noite, as lembranças fervilham
Ora nos momentos alegres e em outras horas...
Recordações dos últimos momentos, soturno
Ataviado o corpo no féretro, o adeus...
Incrédulos, observamos o próprio suplício!

Que dizer-te! Quão triste é esta dor!
Comiseração para todos que estão indo e voltando
A grande embarcação da vida levando e trazendo...
A alegria de quem chega pra nos abraçar
E a tristeza de quem vai pra não mais regressar
E assim continuamos viver e ver a vida passar...


(Luiza Lozada - 30/04/2017)