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segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Piano sobre as ondas.










Piano sobre as ondas, o marulho do mar

Idílio por mim escrito, instante salutar.

Amores que deixaram saudades

No meu coração, guardados em retiro

O sentido da vida, no som produzido.



Solfejando o vazio em notas musicais

Os martelos ativando velhas lembranças

Bailando nas cenas projetadas – dançam.

Retocando o passado, agora no presente

Encobrindo de cor, o matiz ausente.




Ah! O tempo e as ondas do mar desmancham

Sons, vozes, rostos, pegadas que busco no porão d'alma.




Oxigenando a memória em ondas dedilhadas

Na correnteza, vou nadando contra a maré

Desenho as peças semotas do quebra-cabeças

Ajusto os ponteiros nas frações das horas

Sinto e ouço na linda canção - a vida recordada.










Luiza Lozada





terça-feira, 9 de janeiro de 2018

O telegrama.




Jacober um jovem de trinta anos gozava de uma vida de boemia até abrir o telegrama. Lia e relia, irritado massou-o e jogou-o no canto da cabeceira da cama. Não teve tempo de arrumar sua bagagem. Restava-lhe apenas alguns minutos, e atordoado pelo inesperado, estava em choque.
Sentou-se a beira da cama, tateou alguns objetos. Abriu a mala, colocou algumas peças de roupa, pegou um estojo, deu uma leve conferida. Um pente, um jogo de barbeador, desodorante e uma caixa de cotonetes, quase vazia. Levantou e foi até a estante, escolheu um livro. “Talvez pudesse ler nesse ínterim” pensou.
Sentiu um cheiro forte de café que vinha do vizinho e ficou amuado por não ter tempo de ir ao "Barcaffè", sua rotina matinal preferida. Estava zonzo com o comunicado. Talvez não devesse temer. Deitou na cama e ficou olhando para o brilho da lâmpada, observando os pontos pequeninos de sujeiras do seu interior. Um turbilhão de pensamentos conexos e desconexos. Uma confusão mental.
Entrou em pânico, seu coração disparou. Estava mergulhado na própria escuridão.
Um, dois, três! Desfibrilador!”