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domingo, 19 de março de 2017

Onde estão os meus mortos?



Onde estão os meus mortos?
Que deixaram saudades
dúvidas nas interrogativas
O que somos nós? Se não
pedaços de músculos, carnes, ossos
outrora quentes, mornos
Neste dia, quando não... Mortos!
Amigos... que foram embora
sem bilhetes, sem despedidas...
O que me resta deles
quão não e patético
seu novo endereço
Despojos esquecidos em esquifes
pra onde todos iremos com sorte
E agora
sem sonhos, despidos da razão
sob flores seus corpos desagregam
entre convidados famintos: os vermes
almoçam, jantam, os devoram
Onde estão os meus mortos?
Parentes, amigos
meus saudosos animais de estimação
se da carne, vi seu destino
Onde estará guardados sua essência?
a presença do eu
a consciência
a individualidade de cada um
Ah! Mau que fal mal
ausência que dói
dor sem corte, que sangra
que danifica e debulha a alma
Onde estão os meus mortos?
A possibilidade do nada
é estranha, anula,arranha
é frio que gela, que desguarnece
infiltra nas estranhas
e adormece na insensatez
me pego no apego
lívida morbidez
Onde estão os meus mortos?
Por vezes os relego
em outras demais lembro
tenho saudades
saudades que faz ri
saudades que faz chorar
saudades
simplesmente saudades
a maior de todas as saudades
é a presença ausente
é a ausência presente
que me faz acreditar num sonho
tangível, talvez um dia
de revê-los e abraçá-los

Manuscritos



Era primavera florida...crua
Simplesmente revelando a luz
Longevidade
De segredos distantes
Que o espelho pálido seduz

Querer ser a própria história
Me nomear a personagem escrita
Longitude
Revelando os feitos, ao recanto do tempo
Ser o próprio condutor, o vento

Escrever várias memórias
Esculpir a personalidade dupla
Loquacidade
Do escritor imergido na imaginação
Do poeta emergido na inspiração

Desvirginando a missiva com escritos
Delineando o perfil do manuscritos
Longanimidade
Quiçá patético
Deveras poético.


(Luiza Lozada)

Vem comigo!


Vamos, vem comigo!
Eu te levo para um caminho
Onde nem em sonho passaste.

Vamos, vem comigo
Deixa eu sobraçar teu corpo
no meu corpo que é um manto famélico
de amor espiritual e carnal.

Vamos, vem comigo!
ocultarei de teus olhos
o que os meus não querem ver.

Vamos, vem comigo
eu sei que queres
mas tens medo.
Vem, vem, vem...
quero esculpir meus lábios
nos teus e
haurir nossas salivas
num só sabor e desejo

Vamos, vem comigo
quero gungunar em teus ouvidos
o que desejo que faças nos meus.

Vamos, vem comigo!
num só momento e
farei dos teus argumentos
um minuto de encantamentos.

Vamos, vem comigo!
me endividarei contigo
de tanto amor
pra saboriar do teu calor
e que jamais acabe.

Vamos, vem comigo!
eu te ensino o caminho.
Vamos, vem comigo
vem, vem, vem...
e quando tu fores
mestre de tais ensinos
me ensinas também

quero aprender contigo.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Retrato de um povo


Remissão pra esse povo
Que não sabe o que ingerir
Do seu próprio licor, a asnice
Sufrágio venal
Para os políticos, comumente banal
Se enriquecem sem nenhum pudor
Do suor de mais um trabalhador

Remissão pra esse povo
Que sabe enriquecer facilmente os outros
Busto de asno, amálgama de otário
Retrato de um povo
Vítima de seu desconhecimento, permuta
O pão, a opinião e a liberdade
Dos filhos a educação na tenra idade

Remissão pra esse povo
Foram-se os anos e a ditadura
E a plebe persiste, levando dura
Dos ladrões nas ruas, do impostor
Do legislador que usa de impostura
Criando leis ao seu favor, no seu bolso a fartura
Na mesa do trabalhador, a penúria

Remissão pra esse povo
Pobre povo! Tão velho e também moço
São alvos de balas perdidas
De leis constituídas, imbuídas
Roubando-lhe a vida, o pão
Sem saúde, segurança e educação
É filho órfão nato desta nação

Remissão pra esse povo
Que de todo é um bobo, tolo
Desconhece o seu poder soberano
Vive a vida por engano, esquece de si
De per si
Dorme nos escombros da ignorância
Esse é um gaudério, entre muitos

Remissão pra esse povo
Que não percebe, esquece
Somados os votos nas urnas, ruma
Nasce o elegido, o escroque
Que olha a plebe com ar de deboche
Em oito anos se aposenta, resfolga
Sobrestá o operário com a morte

E os sobreviventes dessa labuta
Cansado, vetusto e já sem forças
É um contribuinte quase já morto
Seu salário não lhe pertence mais
Dizimados em contas a pagar
Vai um pouquinho para aqui e acolá
E os políticos sorrindo a brindar
Erguem as taças e brindam os faustos
Nelas bebem á saúde de um povo exausto!

Descrição fiel de uma pintura
Um país governado por traças
Uma sociedade morrendo nos becos
Um grêmio de drogados dormindo em praças
Esse é o retrato do nosso país na desgraça!

(Luiza Lozada)


domingo, 12 de março de 2017

Morte!


Ah! Morte!
Se porventura, vir
Abraça-me forte
Pois me levaram a sorte

Ah! Morte!
Venha-me sorver
No porvir... Der per si
Motivos não sei, torpe
O ontem é saudade doída
Dissolvidas, repicadas em canções
Memoradas nos livros, fotos
Imagens quase destruídas
Por períodos vividos, múltiplas emoções.

Ah! Morte!
Macera minha alma como um corte
Que se funde em pensamentos inquietos
Que descrevo no papel, não mais secretos

Morte! Morte! Que nos espreita
Minh'alma é triste, solitária
Meus amigos, ídolos por que não os tardam?
De muitos foram temerária

Ah! Que dor é essa que reside no peito
Tão cruel, maldosa e fingida
Que parece dormir e desperta efeito
Acordada, devora a existência finita

Por que não dormes sozinha?
E esquece os deuses, os mortais
Nos deixe seguir a vida em paz

Ah! Morte
Que de sorte, és nada, só verme!
Coisa alguma, nula
Pois apenas lhe és dado ossos e carnes

Ah! Morte
Em quantos trajes de madeira eu te vi
Em quantos olhos banhastes de tristeza
De saudades, dor e queixas

Ah! Morte
Eu te dou um breve adeus
Porque agora preciso continuar à vida
Fazer dos meus escritos...
Uma saída

(Luiza Lozada)

Acróstico XLII
























O mundo está nutrido deles

Submissos aos extremos
Usam a sua falta de competência
Babando nos testículos alheios
Sem escrúpulos e sem vaidade
Em pé se apoiam, pisando nos outros
Receia o confrontar com a competência
Verdadeiramente um covarde cagão
Incensador lacaio de elogios exagerados
Embora todos conheçam um
Ninguém quer ele por perto de jeito nenhum
Tacanho em opinião
Enxota pra bem longe esse usurpador de criação


(Luiza Lozada)

O Subserviente





O relógio já batia as primeiras horas do entardecer. Era verão e, por este motivo, ainda se podia ver os reflexos de um sol escaldante. Um sopro quente adentrava as copas das árvores, espantando o adormecer das andorinhas, que concentravam olhares de espectadores desavisados, ao vê-las voejar.

O calor era o mais alto já registrados nos termômetros dos últimos três anos na graciosa e violenta cidade de Rio de Janeiro.
Na rua arborizada transitavam carros e pedestres freneticamente. O trânsito era lento e de vez em quando aturdia os ouvidos com a repetição cansativa de alguém sem paciência, despertando olhares com buzinas aficadamente ruidosas. Ao longe já se podia ouvir a sirene de uma ambulância aos berros pedindo passagem. Rapidamente sobrestá diante do gigantesco portão azul e este se abre para ingressar a viatura que além dos paramédicos conduzia o acamado de nome Itamiro. Um homem forte, alto, de pele negra e de nariz revirado na ponta. Isto é, soberbo, petulante e muito mal educado.
_ Uh! Ai, ai, ai… gemia o arrogante e destemido latagão que agora se encontrava deitado em uma maca com odor de sumo de corpos que já passaram por ali em péssimas condições físicas.
_Calma, doutor! Chegamos! Agora o senhor será atendido. Dizia um dos auxiliares da ambulância com intuito de amenizar o sofrimento daquele homem.
_Calma uma porcaria! Como posso ter calma se vocês me chacoalharam até chegar aqui. Estou sentindo muita dor e se vocês fossem subordinados a mim, vocês conheceriam a minha força e meu látego. Murmurou entre os dentes aquele homem pedante.
Depois de algumas horas Itamiro já se encontrava em um quarto reservado, aguardando a visita do médico e seus primeiros exames.
Gaspar era um médico muito respeitado por toda sua classe e por seus pacientes. Um homem sábio, contemporâneo, dono de um conhecimento vasto. Rebuscava na modernidade o estudo sobre a ansiedade e atitude conflitantes dos seres humanos. Uma saída para tantos transtornos físicos e mentais, esse era o seu maior foco e objetivo para tanto empenho em suas pesquisas. Sua estatura muito alta e de pouco tecido adiposo se espalhava de forma uniforme em todo o seu corpo esbelto. Seus cabelos já pronunciava o entardecer do outono. Usava óculos de aros pretos que sobressaia os seus grandes olhos verdes. Sempre impecável. Usava sempre um jaleco de brancura imaculada, onde se podia ler em bordado azul: “Dr. Gaspar”.
Ao entrar na pequena suíte hospitalar onde se já podia ouvir sussurros de funcionários sobre a arrogância do achacado do quarto número oito, dera um breve toque na porta com as pontas das falanges proximais anunciando sua entrada para o primeiro convívio com aquele ser que já alguns minutos anteriores de impaciência já mostrava seu estado de espírito.
Nos corredores o burburinho se achegava aos ouvidos de outros acamados, além de todo o hospital já comentando sobre o “fátuo Itamiro”! Isto é, o arrogante Itamiro. Que se julgava o melhor que os demais em sua volta.
Ao descerrar a porta está rangeu baixinho…
_Boa noite! Dissera pausadamente o médico olhando para o seu relógio no pulso esquerdo.
_Já era tempo! Estou com dores horrorosas. Estou lhe aguardando até agora. Respondera o presunçoso e arrogante latagão.
_Desculpe senhor Itamiro. A demanda é grande hoje. Estudei o seu prontuário antes de chegar aqui. E pelo que entendi o senhor está com dificuldade de andar devido a essa dor.
_Sim doutor! Uma dor insuportável!
_A princípio pedirei alguns exames de rotina. Hemograma completo, exames de urina e vou pedir também radiografia da bacia e uma tomografia computadorizada. Com certeza através desses exames saberei por onde iniciar o seu tratamento. Em quanto isso o senhor continuará com os analgésicos até que se conclua os resultados de todos os exames. Por hora é isso. Calmamente comunicou o médico.
_Isso é um absurdo! É isso que o senhor tem pra me dizer? Respondeu em tom de severidade o entufado Itamiro.
O médico calmamente olhou outra vez para o seu pulso esquerdo e serenamente lhe disse:
_Senhor Itamiro! Aqui não é o seu quartel. Aqui no hospital não estão os seus subordinados trabalhando. Aqui somos uma equipe que juntos conseguiremos resolver o seu problema de saúde. Por favor, não se exalte! Relaxe o quanto o senhor puder para que possamos fazer esse tratamento e obter resultados. Tenha uma boa noite de sono. E saiu batendo a porta suavemente.
_Não sabe com quem está lhe dando. Resmungou baixinho Itamiro. E impaciente com a espera adormeceu.
No dia seguinte foi um entre sai de enfermeiras. Pela manhã coletaram o sangue e depois a urina.
Ao entardecer doutor Gaspar foi conversar com Itamiro e falar sobre os primeiros resultados dos exames coletados naquela manhã. Não precisou bater a porta, visto que já se encontrava aberta.
_Boa tarde, senhor Itamiro! Com tom comedido, porém resoluto.
_Boa tarde, doutor! Respondeu com certa preocupação pelo que o médico em poucos minutos iria lhe dizer.
O médico ao examiná-lo continuou a falar:
_Seus exames laboratoriais não deram nenhum resultado que possa lhe preocupar, entretanto, nos exames de imagens, tanto da radiografia como a tomografia computadorizada observamos algumas imagens não muito definidas ou melhor, não as que são observadas comumente.
Em seguida pegou as radiografias e as colocou negatoscópio e com muito trato foi explicando aquele homem soberbo agora ali ressabiado pelo que talvez viria pela frente.
_A parte óssea da pelve é conhecida como bacia. Ela conecta a coluna lombar aos membros inferiores e é formada por três estruturas ósseas: hemi pelve esquerda, hemi pelve direita e sacrocóccix. Estas três grandes estruturas articulam-se posteriormente através das articulações sacroilíacas e anteriormente através da sínfise púbica. Doutor Gaspar analisava atentamente a imagem e simultaneamente explicava para aquele homem que agora se borrava de medo e não conseguia acreditar no que estava vendo na imagem. Na ilustração radiográfica se via nitidamente o osso da bacia e diversas mandíbulas ósseas e pequenos ossos como: carpo, metacarpo e falanges agarrados nela. Semelhante as cracas e crustáceos grudados nas rochas.
 _Doutor, isso é surreal! Gaguejou e nervoso não parava de peidar.
_Por favor, contenha-se até que eu termine. Retrucou o médico, sem disfarçar apertando as narinas pois o odor desagradável se esparramara por todo quarto. E para seu alívio foi chamado por uma enfermeira para atender outro paciente naquele exato momento. Saiu dando graças por tão oportuno momento se livrando do soberbo e também cagão.
Itamiro jamais acataria ordens de ninguém e, no entanto, se sentia pequeno diante daquele magricela. Doutor Gaspar fora indicado por um conhecido seu que tivera um problema semelhante. E este buscou e encontrou a razão e a natureza da afecção, da doença.
Coronel Itamiro!” Assim ele gostava de ser chamado. Nos últimos seis meses andava de perna aberta e mal conseguia andar. Seus testículos estavam enormes, toda sua virilha ficara intocável. Sabia que seus subordinados fazia chacota com o seu problema. E ouvia os sussurros:
_Lá vai o sacudo! Diziam uns…
_Coronel porta-saco! Cochichavam outros…
Aqueles safados e limpa-botas estavam sempre conspirando contra ele”. Ficou por horas pensativo e adormeceu.
O doutor não voltara aquela noite.
No dia seguinte por volta do entardecer o médico entrou no quarto oito e começou a indagar o paciente.
_Senhor Itamiro, há quanto tempo começou o intumescimento nos seus testículos?
_Intu…o quê doutor?
_Inchaço! Respondeu o médico com objetividade, já que o ufano não compreendera a pergunta.
_Ufa! Eu tenho vinte e cinco anos nessa corporação.(GUARDA CIVIL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO) Acho que uns seis meses comecei sentir um pouquinho de dor. Mas sabe como é…deixei pra lá. A coisa foi piorando e agora…
o resto o doutor sabe. Respondeu com orgulho pelo tempo de casa e logo em seguida com ar de preocupação, aguardando o que tinha o médico para lhe dizer.
_Acho que se não entendeu a minha explicação das imagens de radiografia e tomografia pelo menos conseguiu observar o que viu nelas. Está muito claro que se vê agarrado no osso de sua bacia, diversas mandíbulas e ossos dos dedos que o senhor deve saber de quem, não é mesmo? Ironizou o médico levantando a armação dos seus óculos para o osso do nariz.
_Não entendi… respondeu confuso Itamiro.
_O senhor foi acometido pela “Síndrome de Crustáceos”. É uma doença do nosso século, porém sua existência é de tempo remoto.
_Que dizer que tenho essas coisas agarradas no meu saco, doutor? Levando as mãos para sua virilha como se tivesse acreditando que “os crustáceos” estivessem agarrados ali.
_Na verdade foi dado esse nome por existirem espécies de crustáceos que vivem fixas nas rochas, cascos de navios, como cracas. Para que o senhor entenda melhor o que está acontecendo, vou lhe dar uma breve explicação: As “cracas humanas” em sentido figurado é claro... Continuou o médico discursando.
_Se dispõe a cumprir ordens de modo humilhante, são pessoas que atende as vontades de uma outra pessoa de maneira submissa. As pessoas no geral são preguiçosas e oportunistas. Querem moleza e terminam se sujeitando a fazerem coisas pra se darem bem. São homens, mulheres. Um bando de cracas energizados no seu saco! Se é que o senhor me entende! Perseverou o médico.
_Doutor sinceramente… não estou entendendo. Disse então Itamiro com receio de levar uma bronca.
_Já que o senhor insiste na clareza dos fatos. Não pouparei meu linguajar. Na sua bacia está acumulada uma energia que vem ocasionando todo esse seu problema. Os lambes bolas, os puxa-sacos! As mocinhas oportunistas que permutam numa “trepadinha” por um lugar, uma posição melhor no trabalho. E assim a vida segue prejudicando de verdade quem é profissional. Nas suas bolas está tudo isso que falei, acredite!
_Que isso? Suspirou perplexo e apavorado, o sacudo.
_Sempre vai ter os bajuladores, os mordes bolas, as vadias. E não pense que o senhor é o único. Me procurou da sua corporação o coronel "Melão", o coronel "Riacho", e outros mais. Enfim, tudo isso, vocês fazem para manipular e monopolizar o poder.
_Nunca pensei dessa forma. Retrucou Itamiro envergonhado.
_E não pense coronel Itamiro que sua mandíbula não está da mesma forma energizada no saco de alguém por ai. Uma vez bajulado, bajulador igualmente foi.
Itamiro ficou mais preto de vergonha. O médico tinha razão. Ele também tivera que bajular muito pra chegar na sua patente. Com um sorrisinho morto no canto da boca perguntou ao médico:
_Eu vou morrer doutor?
_Não! Como se trata de energia acumulada os remédios por si só não serão suficientes para o tratamento. Sugiro a cada três horas do dia pensar nas pessoas que o senhor prejudicou e nas pessoas que de alguma forma cooperou para o seu problema: “os seus puxa-sacos e lembe bolas” e nesse momento banhar os seus testículos com erva de arruda e sal grosso. E daqui pra frente leve para a sua vida e para os seus subordinados a citação: “de um grande e renomado psiquiatra, Augusto Curi, Quem vence sem riscos, triunfa sem glórias.”
_Mas isso vai queimar minhas bolas, doutor! Questionou Itamiro preocupado e sem dar importância no que o médico acabara de falar.
_Se quer tirar essa inhaca energizada, faça esse banho e mais os remédios. Respondeu o médico com veemência.

Itamiro não soube o que dizer. Não podia contestar as palavras do médico. Contudo, se sua atitude de ter em seus pés aquilo que no momento lhe apetecia, muito pior era a atitude de quem se propunha a tal façanha. E pensou com os seus íntimos e petulantes botões: “que grudem mais mandíbulas de gostosonas na porra do meu saco”.
Depois de muita conversa doutor Gaspar prescreveu uma receita e assinou a alta clínica no prontuário de Itamiro. Em seguida chamou pelo interfone um responsável da equipe de enfermagem para os últimos procedimentos de medicação.
_Senhor Itamiro, continue com esses remédios durante seis meses e depois retorne para uma nova avaliação. Tudo bem? Indagou doutor Gaspar.
_Sim! Respondeu Itamiro conformado.
Por conseguinte, o médico saiu e foi continuar o seu trabalho rotineiro no hospital. Após, vinte minutos entra uma morena clara, baixinha, de fiofó carnoso, chamando logo a atenção daquele esfaimado por poder e bunda.
_Boa tarde, senhor Itamiro. Aqui a guia de liberação do hospital. Dissera com voz de quem quer alguma coisa em troca.
_Obrigado! Qual o seu nome? Curiosamente Itamiro ficou a observando.
_Danúsa! Respondeu melosamente.
_Muito prazer, Danúsa! Como você deve saber eu sou o coronel Itamiro. Vou ser bem objetivo. Eu acho um desperdício uma mulher linda como você trabalhar aqui.
_É, eu também acho. Respondeu sem nenhuma modesta.
_Com o conhecimento que tenho posso te tirar daqui e achar um lugar mais tranquilo. É só você querer. Sussurrou quase no pé do ouvido daquela rapariga fácil, fácil.
_Coronel, como o senhor eu também sou objetiva. Eu ainda não me pus na sombra de um boi e acho que agora essa oportunidade surgirá com o senhor. Falou com certa segurança e artimanha.
Em seguida foi até a porta e a trancou.
Itamiro a seguiu com os olhos e a lambendo com a testa!
Danúsa em seguida pega as luvas e as calças. Toma posses do frasco de hidratante do acamado e vai até o leito. Itamiro já com os olhos semifechados adivinha o que vai acontecer naquele momento. Danúsa unta de bastante creme suas mãos e suavemente foi lhe apalpando as bolas inchadas e…
E o resto, como tudo na vida, é conclusão.


sexta-feira, 10 de março de 2017

Ao leitor!



 

Essa é minha verdade, uma obra literária, se é que posso chamá-la assim, uma obra talvez difusa com o tempo, composta por fatos presentes e fictícios.

Alguns amigos ou conhecidos poderão ler e achar ótimo, talvez eu possa viajar para divulgá-la, quem sabe? Mas não se esqueça que esta é apenas a minha veracidade.

Escrever, para mim, é fazer psicanálise sem hora marcada. Sou o meu próprio divã e dei a minha mão direita em conúbio a várias canetas e lápis, que geraram esses filhos, que são os meus manuscritos. Por alguns tenho preferência, por outros, às vezes acho que não vejo sentido, ou pelo menos não os apercebo em sua profundidade.

Penso que Deus criou o mundo e tudo que pertence a Ele tem objetivo de ficar imortalizado. Percebo esta imortalização nas flores, nos mares, nos minerais e em tudo mais.

Mas no ser humano esta imortalização me parece nimiamente extensa, isto é, acredito que enquanto a casta humana não se imortalizar, temos que morrer e nascer diversas vezes até deixar algo de bom e altruísta para o mundo.

Prefiro ver o mundo de forma visionária e utopista. Achar que posso sensibilizar com meus escritos muitas pessoas ou quem sabe depois de alguns séculos findos alguém se enamore por um livro ou um texto que tenha perdurado no tempo transcorrido e nele ler visivelmente o nome da autora:



Luiza Lozada.