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segunda-feira, 10 de abril de 2017

Copos Vazios


A chuva torrencialmente chora lá fora
Os pensamentos perturbam
As respostas navegam em mares turbulentos
Infesto delírio que não vai embora

Obrigo-me acreditar
Se o dinheiro não pode comprar
Pouco se é conquistado, de fato
Pobre ser desgraçado, sem dote, sem nome

O que lhe cabe e o que lhe resta?
Se tudo que faz nada presta
Pútrido tresvario
Sem saída, sem fresta

Inescusável burguesia
Que vê o pobre desprotegido
Lentamente morrer de fome, de azia
De cachaça, a garrafa está vazia

E as autoridades e seus dossiês!
Estão na caixa surpresa: politiquice
E minhas mães, IRENE e IRENICE
Não podem ter, o que não posso oferecer

Copos vazios, alucinação minha
Ébrios na mesa de um bar
Eu tola, vivo esta utopia
De ser feliz...Bêbada magia...

Grão


Grão
Minúsculo no meio de tantos
E tão solitário
Grão de areia na praia
É leve...tão leve
Que o vento sopra e a ele dá asas
Grão
Na sabedoria é a minoria
Onde achá-la?
Na massa encefálica escondida
Nas bofetadas levadas do dia a dia
Grão
O pó estagnado no tempo
Os segredos esquecidos
As histórias estampadas nos livros
Grão
Grão do grão, o pó infinito
O universo escondido...
Na sapiência de DEUS
Grão
Minúsculo na massa do pão
Mata a fome de muitos irmãos
Grão
Um ponto de luz dourada
Nasceu do ventre de Maria, amada
UM ANJO DE LUZ
Que por nós morreu na cruz
Grão
Simplesmente grão
O homem nascido do tempo
Grão
Semente jogada na terra
Semeando o amor e a guerra
Grão
Semeado a palavra de DEUS
A atitude pequenez do homem
Esqueceu...

domingo, 9 de abril de 2017

Um lugarzinho chamado Brasil



Um lugarzinho chamado Brasil
Ouve-se todo tipo de história
Pessoas morrem de balas perdidas de fuzis
E dizem que o povo de lá não tem memória

Conta um bocado de línguas
Que pobre de lá não tem vez
Vive uma vida medíocre e a míngua
O poderio é do político burguês

Terra de marajá, manda é quem tem
Irmão pobre e rato na mesma periferia, advém
Bandido de colarinho branco
Rouba, corrompe, mata
E nenhum processo lhe sobrevém

Lá nesse país roubam a previdência
O dinheiro procurado, quedo. Ninguém sabe...evapora
As autoridades temem providência...
Polícia!Polícia!
Onde foi o fraudador? 
Foi embora...

Me contaram uma vez, não sei se é verdade
Que um juiz, um tal de Ladislau
Roubou tanto o país, mas tanto
Que por isso morreu e se deu mal

Lá é assim, paraíso de beleza infinita
O dinheiro tudo compra, o voto e o veto
Inventaram um monte de bolsa: família, gás e pipoca!
O voto cabresto a papocar, que espertos!

Nesse lugar, bandido pobre vai pra cadeia
E o povo trabalhador é que custeia
Bandido rico não é delito, é moda
Trabalhador pelo visto é visto como idiota.

Ah! Quantas conversas ouvi de lá
Que mulheres com TPM estão nervosas
No senado, a pressão ACM, são tarefas escabrosas
Abastardando o belo país com tipo eleito!

Quão triste esse povo está
Sem salário e contas a pagar
Os corteses em dois mandatos vão cochilar
E sentenciam a idade do povo a labutar

Lá nessa terra o povo trabalha até morrer
São escravos contemporâneos
Negros, mamelucos, cafuzos, amarelos e brancos
Sustentando vagabundos, imundos, verdadeiros cancros...

Recentemente encontrei um caboclo desta terra
Cabisbaixo e triste ainda nessa guerra
Me contou que surgiu lá um tal de Moro
Um cara arretado e destemido defendendo o povo

Sentenciou e prendeu vários bandoleiros
Que roubou o país quase inteiro
E o povo de lá incrédulo com sua valentia
Renasceu a esperança que isso vai mudar um dia...

sábado, 8 de abril de 2017

Utopia de um poeta


Às vezes acho graça
Imagino os comentários
As oposições de pessoas pacóvias
Hipócritas
Que não gostam
Não permitem serem amadas.
Eu sou assim
Gosto de evidenciar o amor
E também o ódio.
Gosto de ser o anonimato
De ser atriz e me fazer de poeta.
O amor... Ah! O amor!
O poeta precisa de musas pra se inspirar
E eu de músicas pra devanear...
E da ponta de um lápis pra me acompanhar.
Ele dança e desliza numa folha de papel
Embalados nos meus pensamentos
Abraçados em meus sentimentos.
Somos assim...
Acreditamos no amor
Meu coração é um escopo de emoções
Um alvo certo eu diria.
De doçura e de candura.
Carismático... Não tolo!
Os néscios amam e sonham também.
Ah! A música não para...
Deliramos...eu e o lápis
Imaginando e compondo
Saudade de uma boca que não beijei
Do abraço que não tive
Do aperto e suor das mãos
Do desejo incontido de esperar...
O amor se achegar cálido
Tonteando a razão aguerrida.
Ah! O amor...
Ser amado e desejado
Utopia de um poeta
Vivenciando fantasias
Ah! O amor...
Acorda o poeta adormecido
Lendo em seu manuscrito
O seu amor redigido
Ah! Saudades!
É preciso ir embora...agora
Contraí dívidas com o meu coração
E agora sou o seu próprio analista.
É preciso escrever... desoprimir
Chorar o amor numa folha de papel
A música é meu passa-porte
Para um tempo sem norte.
Ah! Meu querido e amado lápis
Confidente companheiro de viagem
Ah! Meu amor!
Meu coração é pista de aterrissagem
Que aguarda o teu breve pouso.
E quando ler algo parecido como este recado
Terá o testemunho do bilhete de viagem
Daqui a pouco...Daqui desse lado
Que tu venhas ao meu encontro
Meu amor!

Pois há muito te espera...

quinta-feira, 6 de abril de 2017

A menina e o sapo de olhos verdes

Créditos da Imagem: Hollywood Journal

- Pai! Pai! Conta uma história pra mim, por favor. - Era um pedido pertinente de todas as noites da menina Beatriz para seu pai, que incansavelmente lhe contava não contos de fadas já prontos, mas histórias que surgiam de imediato na sua mente.
- Só um minuto, Bia! Respondia pacientemente, aquele encantador e contador de tramas.
A pequena Beatriz era filha única e ficara órfã de mãe aos seus tenros dois anos de idade. Júlio César, seu pai, a partir desse episódio, passou a fazer ambos os papéis para amada filha. Bia, como era carinhosamente chamada, completava exatos cinco anos em maio, mês em que ele ficara viúvo de Barbara.
Durante todo esse período, Júlio César encarnara os papéis de dono de casa, babá, socorrista, professor, pai e, como podia, o também de mãe.
Beatriz pedia quase sempre ao seu pai para descrever sua falecida mãe. Indagava a cor de seus cabelos e olhos, perguntava se ela era bonita e engraçada.
Júlio, disfarçando sua tristeza, descrevia as características de Bárbara, exagerando nos detalhes. Ele entendia que, apesar da menina ter somente dois anos de idade no fatídico dia da morte da mãe, a pequena criança tentava  fixar a imagem do seu rosto em sua mente.

O pai acreditava que, possivelmente, essa era uma das formas que Beatriz tinha encontrado de fazer a recordação de sua mãe resistir aos propósitos do tempo, fazendo-a permanecer sempre em evidência na sua lembrança. Certamente, já investigando sobre o esquecimento no seu íntimo, ela - ainda que criança - indagava. Provavelmente, seu consciente cobrava para que o retrato de sua mãe ficasse delineado para sempre. 
“ - O tempo às vezes é sábio e, também, cruel. Não sabemos porque ele funciona para cada um de nós de forma diferente”. Pensava Júlio, toda vez que Bia questionava, incansavelmente, os traços de sua mãe.
Júlio César trabalhava como maquinista. Sempre foi excelente condutor de locomotivas e um exímio operador dessas máquinas. Seus horários de labuta coincidiam propositalmente com o horário escolar integral de Beatriz. Quando acontecia algum imprevisto de qualquer natureza que envolvessem os dois, ele trocava de horário com Jacinto, um outro colega de profissão e amigo pessoal. 

Dessa forma, ia levando a vida após a morte de sua mulher. Adequando sua jornada como podia, priorizando sempre o bem estar da menina.
Pai! Estou aguardando... - Beatriz gritara de seu quarto, impacientemente.
- Já vou, filha! - respondeu, de forma inteligível, enquanto escovava os dentes.
Não demorou muito, Júlio entrou no quarto de Bia, ajeitou o seu travesseiro, puxou a coberta até a ponta do seu queixo e sentou na beira da cama. Deu-lhe  um fraterno beijo na testa e lhe perguntou:
- Que história quer ouvir hoje, menininha?
- Qualquer uma, papai! - Respondeu a menina alegremente
- Mas vai ser um pequeno conto, garota! Amanhã temos que acordar cedo, como sempre. 
- Está bem! 

Com felicidade, a menina se ajeitou na cama, pegou “Palito” - seu bonequinho de pano com três fiapos de linhas douradas na cabeça -, colocou-o sob a coberta e aguardou ansiosamente pelas narrativas de seu admirado pai.
Júlio se levantou da beira da cama de Beatriz e foi até a poltrona que se encontrava ao lado. Ajeitou seu corpo cansado na cadeira de vime e prosseguiu com seu mais novo devaneio:
- Era uma vez uma menina e o sapo de olhos verdes! A menina, que era muito bonita e inteligente, possuía muitos talentos natos e um excelente gosto. Apreciava boas músicas e tinha como principal hobby a leitura. Passava horas e horas do seu dia lendo e adquirindo conhecimento e,por consequência disso, a menina foi, pouco a pouco, construindo um enorme castelo de erudições. Seu castelo feito de letras, páginas e sonhos ficou tão alto, mas tão alto, que ninguém conseguia chegar até ele.
A moça foi crescendo física e intelectualmente.Com seu conhecimento, percorreu o mundo e viajou para terras antes desconhecidas. Um certo dia, resolveu acampar em um lugar chamado Apólogo. Um recanto muito atrativo para quem gosta de apreciar a natureza e seus elementos.
Ao deambular numa das suas tardes interrogativas, avistou um lago pequeno em forma de arco. O que mais chamava sua atenção era a cor da água. Muito transparente e com uma bela vista da comunhão de vários peixes coloridos nadando numa sinfonia aquática.
E assim foram se passando alguns meses quando num daqueles dias ensolarados se achegou até margem do lago e viu sua beleza estampada no reflexo da água límpida. E pensou com seus botões casados: “ por que sendo ela uma moça bonita, jovem, inteligente e amável ainda não encontrara o seu príncipe encantado?” Ficou por horas assim olhando para o espelho d'água confiando em receber uma resposta que a convencesse. E mansamente aquele espelho d”água não lhe dera nenhuma resposta.
E assim prosseguiu a vida.
Dois anos tinha-se passado. Se dedicou mais ao trabalho. Às vezes saia para dá uma corridinha para manter a forma. Outra hora ia em algum festival de jazz que gostava muito. Em algumas temporadas recebia algumas amigas e nem percebia o passar do tempo.
Quando chegou o verão saía quase todas as tardes para dá um caminhada, e numa dessas não percebeu que instintivamente andou até se deparar nas margem do lago. Ficara ali mergulhada em pensamentos vagos. Até que de repente emergiu um grande sapo de olhos verdes!
Beatriz olhou para o pai e deu um acesso de riso. Uma compulsão de risadas que até Júlio não se conteve. Ficaram ali os dois por minutos rindo.
_ Qual foi a graça, Beatriz?
- Imaginei o sapo dando um susto na menina e ela caindo dentro do lago.
- Dá próxima vez pensarei em algo parecido, está bom?
- Pai, continua... Eu não vou rir mais.
Júlio continuou com a sua narrativa...
_ O sapo realmente dera um grande susto naquela menina, porém ela não caíra dentro do lago. O sapo gordo ficou encantado com a beleza e a inteligencia dela.
Ele era um sapo sagaz. Apesar de horrendo, assustador, muito galhofeiro. A menina passou visitar o sapo, todas as tardes. Observava sua língua pegajosa e musculosa lançada para bocanhar os insetos.
Ele a fazia rir quase o tempo todo e ficavam horas ali de conversa na beira do lago. Ele coaxando sobre sua vida naquele lago dominado por ele, ela tagarelando sobre seus deslumbre da vida. O sapo de olhos verdes saltava e jogava-lhe água no rosto como gotículas de orvalho. Aquilo encantava aquela moça e assim foi se passando o tempo e ela se apaixonou por aquele horrendo sapo.
Um dia a moça resolveu procurar nos dicionários uma fada madrinha. Dessas com vara de condão e tudo. Tinha esperança que aquele sapo de olhos verdes viesse ser o seu lindo príncipe. Resolveu fazer uma viagem para os livros de contos de fadas. Quiça, conseguisse uma emprestada, mas todos a negaram a cedê-la.
Enquanto não obtinha seu intento, ia visitá-lo no lago e ficava horas a admirá-lo. Então, um dia resolveu já que não podia o sapo virar um príncipe ela iria virar um sapo. E só tinha uma maneira de se dar isso. Uma viagem para a cidade da Fantasia. Uma cidade linda e encantadora. Todos que já se hospedaram nela poderia testemunhar o seu fascínio. Tomou um banho, colocou sua roupa nova, fez as malas e embarcou no primeiro voo para povoação da Quimera.
Lá chegando avistou ao longe o lago que pra ela já era conhecido. Se aproximou e quando percebeu já estava mergulhada nele. Sua pele estava rugosa. Ela tinha virado definitivamente um sapo. Agora com a visão de um anfíbio observava as poças temporárias de água acumulada nos ramos de algumas plantas. Era um sítio de criação e observava agora bem de perto. A água que ela estava submersa era premente para os ovos e girinos. E eles pertenciam ao sapo gordo de olhos verdes. Pois eles eram a cara dele. Cara de um e focinho do outro!
Então já no mundo dos sapos a moça estava mergulhada nas águas onde os girinos brincavam entre si. Percebeu que estava sendo vigiada por dois grandes olhos verdes. E aqueles olhos eram inconfundíveis. Aquele sapo vivia naquele lago com a sua família.
Os girinos estavam em sua volta, rodeando-a. Cantavam felizes por aquela visita aparentemente familiar. A menina também de olhos verdes que agora era uma sapo ali apavorada e na água junto deles não sabia o que fazer.
O par de olhos verdes continuava a vigiar suas crias e aquele sapo estranho em seu lago lhe parecia pouco afeito.
E os sapinhos em coro falavam melodicamente para chamar atenção daquele sapo que não não era sapo: “o sapo não lava o pé, não lava porque não quer, ele mora na lagoa, não lava o pé por que não quer. E gritavam em coro: que cheirinho de chulé!” Fazendo festas com o balançar de suas caldas.
Aquilo era nojento, pensou aquela moça! Ela começou a gritar:
_ Me tirem daqui! Ai que nojo! Me tirem daqui! Gritava a moça de olhos verdes que virara um sapo.
Aqueles girinos eram filhos do sapo de olhos verdes.
- Me tirem daqui! Ai que nojo!
Ela se debatia e gritava.
Júlio César entrou no quarto da menina e tentou acalmá-la.
- Calma, Bia! O que houve, filha?
- Pai, o sapo de olhos verdes! 
- Calma, filha. 
- Um sapo, pai! Um sapo de olhos verdes! - Ela repetia, com os olhos assustados.
- Calma, Bia! Foi apenas um pesadelo. - O pai disse, tentando acalentar Beatriz.
A menina, agora mais calma, abraçou o pai aliviada! Pegou o seu boneco “Palito” e o abraçou também.
Longe dos aterradores olhos verdes do sapo, os três - pai, filha e boneco, -adormeceram por aquele momento único e mágico.

(Luiza Lozada)