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quarta-feira, 21 de junho de 2017

O batel solitário













Ouço baixinho o sopro do vento
caindo a tarde, o relento
a brisa do mar, enleando meus pensamentos
o cheiro forte da mare, siando nas asas do argumento

navegando em ventania, o batel a velejar
o pássaro solitário planando sobre o mar
contemplando o bailar das ondas, o peixe a nadar
o marulho de ondas nas pedras da beira-mar

arremessando espumas, os mares salsos
na saliva de um beijo quimérico, desejado
do amor esquecido de um tempo, de um passado
em épocas vividas sem lembranças, divagado

tudo tão distante, a paquete e as lembranças
nas asas da rede aberta pronta para içar
puxando o pescado, abarrota a feiticeira
quiça, a puça, a tarrafa, ou as malheiras

na linha do horizonte o mar e a terra, unidos
o pôr do sol trazendo a noite, escondido
sigo as pegadas na areia da praia
demarcando caminho pra um lugar, talvez

o vento frio sopra baixinho, segredos
neles, talvez eu ouça também os meus
minha alma saudosa chora não sabe o porquê
buscando minha essência num tempo esquecido

a proa rasgando as águas geladas
na rede a abastância regressando ao cais
aportado no porto o fadigado batel
resfolgado em sua engelhada quilha

atracado e dominado por sua oxidada âncora
no refluxo da baixa-mar, fadigado acalenta
meus olhos fixados na linha do horizonte
sem resposta, solitária na reta de fuga




luiza lozada 28/05/2017.