Ouço baixinho o sopro
do vento
caindo a tarde, o
relento
a brisa do mar,
enleando meus pensamentos
o cheiro forte da
mare, siando nas asas do argumento
navegando em ventania,
o batel a velejar
o pássaro solitário
planando sobre o mar
contemplando o bailar
das ondas, o peixe a nadar
o marulho de ondas nas
pedras da beira-mar
arremessando espumas,
os mares salsos
na saliva de um beijo
quimérico, desejado
do amor esquecido de um
tempo, de um passado
em épocas vividas sem
lembranças, divagado
tudo tão distante, a
paquete e as lembranças
nas asas da rede aberta
pronta para içar
puxando o pescado,
abarrota a feiticeira
quiça, a puça, a
tarrafa, ou as malheiras
na linha do horizonte o
mar e a terra, unidos
o pôr do sol trazendo
a noite, escondido
sigo as pegadas na
areia da praia
demarcando caminho pra
um lugar, talvez
o vento frio sopra
baixinho, segredos
neles, talvez eu ouça
também os meus
minha alma saudosa
chora não sabe o porquê
buscando minha essência
num tempo esquecido
a proa rasgando as
águas geladas
na rede a abastância
regressando ao cais
aportado no porto o
fadigado batel
resfolgado em sua
engelhada quilha
atracado e dominado por
sua oxidada âncora
no refluxo da
baixa-mar, fadigado acalenta
meus olhos fixados na
linha do horizonte
sem resposta, solitária
na reta de fuga
luiza lozada
28/05/2017.
