Entre sóis e luas e o passar pelas estações da vida, nunca pensei entrar por este deserto sombrio, com tantas indagações, questionamentos e tantas incertezas ao despertar das minhas sessenta e quatro manhãs, nem sempre nebulosas decerto. Entretanto, existe um vazio imensurável, os “porquês” não respondidos, as dores mal curadas, as palavras engolidas, os olhares de reprovação, enfim...
Ao entrar neste vazio da alma, acredito que é normal este autoquestionamento.
Não é a solidão que me incomoda, desde muito nova sempre gostei dessa imersão,
desse abrigo interior que sempre me vi, ainda que cercada por pessoas. É como
um mergulho em águas turbulentas e não claras, e me traz à tona como se não
pertencesse a lugar nenhum. É como estar à deriva, o corpo boiando jogado de um
lugar para outro sem destino, sem rumo.
Fecho os meus olhos acordados e busco essas respostas: de
onde eu vim? Por que estou aqui? Por que tenho que passar por esta experiência?
Para onde vou quando sair daqui? E nada ouço... a não ser o canto de um pássaro
qualquer lá fora que diz estar por aqui também...
São muitos barulhos, ruídos, todos questionáveis...
Enquanto isso vou caminhando sem destino pelo meu deserto!
