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quarta-feira, 21 de julho de 2021

A Andarilha

 



Júlia perambulava entre ruas desertas, prédios e casas em ruínas se despontavam a cada passo. Assustada e sem compreender aquele momento que se desnudava em tragédia e abandono, supôs que morrera e se encontrava no inferno. Olhou tudo em sua volta e não viu nada que a arremetesse a sua vida. Suas roupas surradas e pés nus, teve a certeza que estava aprisionada em seus delírios. Ouviu um sussurro frio nas pontas das orelhas, ficou quieta por instantes observando o sopro do vento adentrando e circulando pelos escombros espalhando uma poeira sem cor. Sentiu umedecer suas faces com leves gotículas geladas imediatamente intensificadas. Desperta, levantou-se da cama e correu para fechar a janela.

Amanhecera em tempestade.


Um comentário:

William disse...

Há algo de simplicidade neste conto . Mas não, a ausência de sentimentos. Fecho os olhos, e consigo interagir com ele. Parabéns....