Júlia perambulava entre ruas desertas, prédios e casas em ruínas se despontavam a cada passo. Assustada e sem compreender aquele momento que se desnudava em tragédia e abandono, supôs que morrera e se encontrava no inferno. Olhou tudo em sua volta e não viu nada que a arremetesse a sua vida. Suas roupas surradas e pés nus, teve a certeza que estava aprisionada em seus delírios. Ouviu um sussurro frio nas pontas das orelhas, ficou quieta por instantes observando o sopro do vento adentrando e circulando pelos escombros espalhando uma poeira sem cor. Sentiu umedecer suas faces com leves gotículas geladas imediatamente intensificadas. Desperta, levantou-se da cama e correu para fechar a janela.
Amanhecera em tempestade.

Um comentário:
Há algo de simplicidade neste conto . Mas não, a ausência de sentimentos. Fecho os olhos, e consigo interagir com ele. Parabéns....
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