Estou na minha varanda a contemplar o nada. Ao redor muitas bananeiras, mangueiras, jambeiros e uma afinidades de verdes mesclados. Faço desta paisagem o meu paraíso particular.
Para completar este palco de seres
vivos, contracenam algumas espécies de pássaros, os seus cantos dão
a sonoridade à cena. Eu a única personagem de pensamentos
estáticos, com olhar vago. Entretanto, vasculhando o meu interior,
busco um caminho, indagando como se chegar a bem-aventurança.
As bromélias dão um tom sutil com
suas cores vermelhas, rosas e amarelas. O céu azul claro se desnuda
aos poucos e as nuvens sopradas pelo carinhoso vento vai as
conduzindo numa dança de sedução para não sei onde. Acompanhando
o desfecho do passar das horas, a façanha, a bela, a misteriosa
natureza que meus olhos testemunham e esqueço um pouco da tragédia
que aniquilou milhares de pessoas do outro lado da Terra.
Esqueço-me no silencio...
Neste meio-tempo, o silêncio me traz
Deus. Traz também a saudade de meus amigos, dos meus ídolos, do meu
avô e principalmente de minha querida irmã que partiu para um mundo
desconhecidos ou adormecidos por nossas mentes. O mundo espiritual
que inerente a minha personalidade, creio veemente que viemos de lá
com o bilhete de regresso já agendando para a volta.
Submersa em devaneios não percebo que
a majestade, “o Sol”, circunda-me com seus raios aquecendo a
alma, os poros.
Já é tempo! Tenho que cuidar da
vida. Efêmera como as horas, quanto menos esperamos vai embora...
Luiza Lozada 01/06/2003

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