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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Cinquenta e sete primaveras!




Hoje eu acordei com uma leve lembrança, de pelo menos cinquenta anos.
Uma nostalgia doída e ao mesmo tempo prazerosa. 
Lembrei de minha irmã caçula “ Susana” e eu, num vestido quadriculado, em cores azuis de duas ou mais tonalidades. Era os vestidos mais bonitos que tínhamos visto e vestido. Presente de minha mãe.
Eu acho que era Natal ou a entrada de um Novo Ano. Parecíamos dois pares de jarras, por dentro e por fora, tamanha era a nossa alegria nos dentes, alguns ainda de leite. Entretanto, minha mãe nesse dia estava acamada. Seu semblante era de dor. Eu não sabia se era dor física ou emocional. Olhei para minha mãe e vi tanta tristeza em seus olhos, que quase estragou o tamanho do meu contentamento naquele dia. Lembro-me como se fosse hoje as suas palavras: 
 “ Vai se divertir com sua irmã e se cuidem.” Nós íamos para uma festa na casa de um vizinho amigo.

Hoje, depois de tantas estações vividas e já sem minha irmã caçula e minha mãe, observo que as memórias vão ressurgindo de um vazio cheio de recordações.

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