Ela queria vir, mas estava sem jeito
Sem graça, tímida talvez
Sentada num “Bar Café”
Insistentemente eu a esperava
Numa conversa interior em diálogos afeito
O garçom se achegou a mesa
Suavemente assentou a xícara
O cappuccino denotando sua arte em espuma
O prato com a torta mesclada
De chocolate e creme em bruma
Ela chegou sorrateiramente
Sapateando em pena entre os meus dedos
Traçando cadência forte na missiva
Os tacões do bico derramando tinta
Um azul desbotado, borrando a escrita
Um devaneio misturado com o cheiro do café
Conluiado com o vento num sopro
Gostoso, sápido, quase morno
Ela entrementes e eu entrelinhas
As palavras se alinhando em linhas
A ansiedade de escrever, é quase um dom
Aquecendo as horas o talante
Dizer com palavras, olhos e bocas
Os anseios do bardo inquieto
Dos feitos dessa vida, do lugar, objeto
Palavras e pensamentos conectando-se
Abrilhantando as dores, os sabores
Em versos distorcidos, os amores
Os olhos cerrados, descerrando a percepção
Fremendo as asas da imaginação
Aqui nesse município inspirador, deleitoso
Um divã pra poetas num espaço ditoso
Seduzido pelo odor que movimenta a maré
Enlevo com o cheiro do tabaco, cerveja e café
Que vem de todos os lados, alegria – Alafé!
Tudo tão pertinho! E entre os dedos!
A asa da xícara ainda um pouco quente
Um teorema rabiscado no guardanapo, recente
Os dois pontos fixos aqui:
É um alumbramento por ti! Paraty!

Nenhum comentário:
Postar um comentário