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quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Versos para ti!





Ela queria vir, mas estava sem jeito


Sem graça, tímida talvez

Sentada num “Bar Café”

Insistentemente eu a esperava

Numa conversa interior em diálogos afeito



O garçom se achegou a mesa

Suavemente assentou a xícara

O cappuccino denotando sua arte em espuma

O prato com a torta mesclada

De chocolate e creme em bruma



Ela chegou sorrateiramente

Sapateando em pena entre os meus dedos

Traçando cadência forte na missiva

Os tacões do bico derramando tinta

Um azul desbotado, borrando a escrita



Um devaneio misturado com o cheiro do café

Conluiado com o vento num sopro

Gostoso, sápido, quase morno

Ela entrementes e eu entrelinhas

As palavras se alinhando em linhas



A ansiedade de escrever, é quase um dom

Aquecendo as horas o talante

Dizer com palavras, olhos e bocas

Os anseios do bardo inquieto

Dos feitos dessa vida, do lugar, objeto



Palavras e pensamentos conectando-se

Abrilhantando as dores, os sabores

Em versos distorcidos, os amores

Os olhos cerrados, descerrando a percepção

Fremendo as asas da imaginação



Aqui nesse município inspirador, deleitoso

Um divã pra poetas num espaço ditoso

Seduzido pelo odor que movimenta a maré

Enlevo com o cheiro do tabaco, cerveja e café

Que vem de todos os lados, alegria – Alafé!



Tudo tão pertinho! E entre os dedos!

A asa da xícara ainda um pouco quente

Um teorema rabiscado no guardanapo, recente

Os dois pontos fixos aqui:

É um alumbramento por ti! Paraty!







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