Vivo numa dimensão
Ainda que não posso
vê-lo
Sinto-o
Exibe-me a luz
Estou num labirinto –
Confuso
Não acho a saída
Quem fui eu ontem?
A pretexto de que e por
que?
O presente está
mórbido - Túrbido
Distante – O manto
Embaçado – Um tanto
Sou um ponto isolado no
mundo
Esquecido - Esquisito
Onde estão as fadas?
Os santos e os guardas?
Que não me acolhe –
E abraça
Quem fui eu ontem?
Pois muito já sinto-me
culpado
Vejo na linha
imaginaria
As bocas transparentes
– Mudas
Não me sopram os
segredos
Não apressa o socorro
Amenizando os medos
Momentos olvidos
Fecho os olhos
Abraço-me ao calor do
sol
Sinto o seu suspiro
morno
O teu olhar sobre mim
Luzes do seu contorno
se achegam
No tímido vento
Aquecendo o meu pranto
devagar – Lento
Quem fui eu ontem?
Merecer tanto castigo
O desprezo e o descaso
Tenho uma vaga
lembrança
Uma sensação de que
sei
Uma certa temperança
Nas respostas – Das
quais perguntei
Ah! Que lembrança me
traz
O roncar do pequeno
aviãozinho
Estático – Eu o ouço
tão longe
Uma saudade – O
vazio, o nada
Sentimento de uma
triste canção
Paliado em outros sons
– Ouço
Inaudível a voz
interior – Não sei
Às vezes, parece um
delírio
A necessidade do corpo
– Um vicio
Que domina e maltrata
Um sentimento de culpa
De um pai que abandona
seus filhos
Sentimento que tenho
por meu pai

Um comentário:
Há trinta anos escrevi esse texto. Hoje ao publicá-lo, pensei no meu pai. E como sempre analítica me perguntei: teria eu um destino diferente se ele fosse presente em minha vida?
Postar um comentário