Hoje resolvi escrever sobre o companheirismo, sobre a provável amizade eterna.
Na verdade tudo isso para elucidar a vida, e se é que pode alguém falar com exatidão e fazer tal façanha sem comprometer a psique.
O motivo pelo qual me fez pensar na vida de forma analítica, tem nome: Morte !
São quarenta e dois outonos questionáveis de experiências boas e ruins. É verossímil que as ruins pesem mais, talvez porque geralmente quando vemos a primavera esta já está tão distante em lembranças remotas. Todavia são retalhos, pedaços que compõem essa grande ilustração que é a vida.
Eu definiria como um grande quebra-cabeça!
Acho Deus Magnânimo! Fez da vida uma incógnita para que a cada hora finda refletíssemos sobre ela.
E se idealizássemos Deus como Um Grande Fotógrafo ?
Ele fotografaria cada um de nós com a vida planejada e concluída. Tudo composto numa imensa gravura. Nela estaria o nascimento, o transcorrer de toda a vida, também estaria os prováveis deslizes, sucessos, amores e dissabores. Cada um de nós teria sua própria fotografia prontinha antes mesmo de ver a luz do sol. Nessa grande ilustração estariam os pais, os amigos, inimigos, estariam também os animais de estimação. A totalidade do que existe estaria esculpida nesta gravura, sintetizando a adição da vida e estaria exposto o essencial para sermos felizes ou não...
Deus também sendo a própria Essência Atilada, sabe que sua criação tem o poder de mutação, isto é, o ser humano transformaria-se naquilo que lhe convém, tendo a necessidade de crescer, procriar,amar e ser feliz, pois é fornido de inteligência, teria a capacidade de discernir o caminho a ser percorrido.
O trajeto de cada um pode ter pétalas de flores como também espinhos, mas consciente da escolha sabemos que podemos chegar a qualquer lugar. Dentro dessa ideologia , Deus retalha e embaralha toda essa fotografia... Depois de todo o processo embaralhado, estaria pronto o quebra-cabeça para que pudéssemos juntar as peças uma a uma e termos a vontade de vencer com perseverança as contingências da vida. Reconstruindo a própria vida ou melhor, o próprio destino,seriamos o próprio resultado de nossa labuta. Acredito que num acordo ainda na condição de essência damos o direcionamento dos fatos já traçado, nós que muitas das vezes não o cumprimos. Deturpamos o seu diverso sentido.
É claro que Deus não nos facilitaria, as peças são dúbias propositalmente para sermos testados em nossa fortaleza e resignação. É óbvio que nada é comprovado cientificamente, faço dessas minhas palavras ou escrita minha analogia, minha loucura.
Às vezes em meus delírios acho Deus Um Pai Brincalhão, nos joga dentro de uma grande bola que flutua no ar e fica nos girando, girando, girando até que cheguemos há um estado de purificação, mas a maioria somente chega próximo ao estado de vomição de tanto se embriagar pela vaidade, orgulho e opta por ser o cubo de gelo mergulhado no álcool da malevolência.
Quando comemos algo que não faz bem ao organismo, expelimos com impetuosidade sem poder às vezes evitar o constrangimento. Assim também é o alimento para o ego, senão presta danifica o corpo como também a alma...
É dentro dessa filosofia desvairada que percebi como dói ver almas amigas irem embora sem ao menos ter tido tempo de dar um ultimo abraço, um adeus de despedida. São pedaços do meu quebra-cabeça desfazendo-se, se perdendo no tempo e no espaço que pra mim parece tão distantes e às vezes tão próximos. É um sentimento obscuro mergulhado na escuridão das interrogativas, dos porquês, na sensação da perda de um pedaço da vida, ou melhor deste quebra-cabeça!
Dentro desse prisma, acredito que vemos o quebra-cabeça montado uma única vez, antes de encarnarmos e assim mesmo de relance e com olhar oblongo. Por motivos talvez de esquecimento onde o passado e futuro são o presente nos minutos findos e vindouros que conhecemos antes mesmo de nascer.
Achega-se o inverno e parece estarmos mais próximo de Deus, em particular não vejo mais os sorrisos dos amigos, não tenho mais o bate-papo sem demora, figura-me na lembrança o brilho dos seus olhares, seus projetos, suas felicidades. São momentos eternos que perduram sobre ás rugas dos meus olhos cansados e acobertam os meus pensamentos com pelos mesclados.
E daí ?
A vida é assim para todos, por que me sinto tão triste e isolada nas interrogativas?
A vida é reticente...
Fecho os olhos...
As copas das arvores dançam no ritmo do vento, as folhas secas caem ladrilhando o chão.
Em pequenos intervalos abro os olhos e admiro o voejo das borboletas, a vida continua passando...
Ouço já sonolenta a melopéia , o suspiro da atmosfera bailando...
E as lembranças parecem momentos vivos e a minha vida continua passando..
(Luiza Lozada - 02/03/2002)

Um comentário:
Quando escrevi "Quebra-cabeça" eu estava muito deprimida e perplexa com a morte de um bom amigo. "Air" era um cara muito alegre, divertido e cheio de vida.Teve uma época que nos divertimos muito,era um amigo confidente. Sua morte súbita me deixou sem chão. Foi nesse exato momento que percebi que estava envelhecendo...
Postar um comentário