Onde estão os meus mortos?
Que deixaram saudades
dúvidas nas interrogativas
O que somos nós? Se não
pedaços de músculos, carnes, ossos
outrora quentes, mornos
Neste dia, quando não... Mortos!
Amigos... que foram embora
sem bilhetes, sem despedidas...
O que me resta deles
quão não e patético
seu novo endereço
Despojos esquecidos em esquifes
pra onde todos iremos com sorte
E agora
sem sonhos, despidos da razão
sob flores seus corpos desagregam
entre convidados famintos: os vermes
almoçam, jantam, os devoram
Onde estão os meus mortos?
Parentes, amigos
meus saudosos animais de estimação
se da carne, vi seu destino
Onde estará guardados sua essência?
a presença do eu
a consciência
a individualidade de cada um
Ah! Mau que fal mal
ausência que dói
dor sem corte, que sangra
que danifica e debulha a alma
Onde estão os meus mortos?
A possibilidade do nada
é estranha, anula,arranha
é frio que gela, que desguarnece
infiltra nas estranhas
e adormece na insensatez
me pego no apego
lívida morbidez
Onde estão os meus mortos?
Por vezes os relego
em outras demais lembro
tenho saudades
saudades que faz ri
saudades que faz chorar
saudades
simplesmente saudades
a maior de todas as saudades
é a presença ausente
é a ausência presente
que me faz acreditar num sonho
tangível, talvez um dia
de revê-los e abraçá-los

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