Remissão pra esse povo
Que não sabe o que ingerir
Do seu próprio licor, a asnice
Sufrágio venal
Para os políticos, comumente banal
Se enriquecem sem nenhum pudor
Do suor de mais um trabalhador
Remissão pra esse povo
Que sabe enriquecer facilmente os outros
Busto de asno, amálgama de otário
Retrato de um povo
Vítima de seu desconhecimento, permuta
O pão, a opinião e a liberdade
Dos filhos a educação na tenra idade
Remissão pra esse povo
Foram-se os anos e a ditadura
E a plebe persiste, levando dura
Dos ladrões nas ruas, do impostor
Do legislador que usa de impostura
Criando leis ao seu favor, no seu bolso a fartura
Na mesa do trabalhador, a penúria
Remissão pra esse povo
Pobre povo! Tão velho e também moço
São alvos de balas perdidas
De leis constituídas, imbuídas
Roubando-lhe a vida, o pão
Sem saúde, segurança e educação
É filho órfão nato desta nação
Remissão pra esse povo
Que de todo é um bobo, tolo
Desconhece o seu poder soberano
Vive a vida por engano, esquece de si
De per si
Dorme nos escombros da ignorância
Esse é um gaudério, entre muitos
Remissão pra esse povo
Que não percebe, esquece
Somados os votos nas urnas, ruma
Nasce o elegido, o escroque
Que olha a plebe com ar de deboche
Em oito anos se aposenta, resfolga
Sobrestá o operário com a morte
E os sobreviventes dessa labuta
Cansado, vetusto e já sem forças
É um contribuinte quase já morto
Seu salário não lhe pertence mais
Dizimados em contas a pagar
Vai um pouquinho para aqui e acolá
E os políticos sorrindo a brindar
Erguem as taças e brindam os faustos
Nelas bebem á saúde de um povo exausto!
Descrição fiel de uma pintura
Um país governado por traças
Uma sociedade morrendo nos becos
Um grêmio de drogados dormindo em praças
Esse é o retrato do nosso país na desgraça!
(Luiza Lozada)

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