Ah! Morte!
Se porventura, vir
Abraça-me forte
Pois me levaram a sorte
Ah! Morte!
Venha-me sorver
No porvir... Der per si
Motivos não sei, torpe
O ontem é saudade doída
Dissolvidas, repicadas em canções
Memoradas nos livros, fotos
Imagens quase destruídas
Por períodos vividos, múltiplas emoções.
Ah! Morte!
Macera minha alma como um corte
Que se funde em pensamentos inquietos
Que descrevo no papel, não mais secretos
Morte! Morte! Que nos espreita
Minh'alma é triste, solitária
Meus amigos, ídolos por que não os tardam?
De muitos foram temerária
Ah! Que dor é essa que reside no peito
Tão cruel, maldosa e fingida
Que parece dormir e desperta efeito
Acordada, devora a existência finita
Por que não dormes sozinha?
E esquece os deuses, os mortais
Nos deixe seguir a vida em paz
Ah! Morte
Que de sorte, és nada, só verme!
Coisa alguma, nula
Pois apenas lhe és dado ossos e carnes
Ah! Morte
Em quantos trajes de madeira eu te vi
Em quantos olhos banhastes de tristeza
De saudades, dor e queixas
Ah! Morte
Eu te dou um breve adeus
Porque agora preciso continuar à vida
Fazer dos meus escritos...
Uma saída
(Luiza Lozada)

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