Ele estava na varanda a contemplar o nada. Ao redor muitas bananeiras, mangueiras,
jambeiros e uma afinidade de verdes mesclados. O farfalhar delas o hipnotizava, lembrava o
Jardim do Éden.
Um palco de seres vivos, contracenando com ele. Insetos e pássaros, os ciciados e os
chalreados davam a sonoridade àquela cena. E ele perdido em pensamentos estáticos, com
o olhar vago buscava no seu âmago a bem-aventurança.
As bromélias davam um tom sutil com suas cores vermelhas, rosas e amarelas. O céu azul-
claro se desnudava aos poucos e as nuvens sopradas pelo carinhoso vento ia conduzindo-as
numa dança de sedução. E ele as perseguia, até perdê-las de vistas. As horas voavam
unidamente com aquelas aves. A natureza despojava-se e ele esquecia por instante a
tragédia que acometia milhares de pessoas pelo vírus.
Anestesiava-se no seu silêncio e no mantra daquela essência.
Naquele momento duvidoso a apantropia lhe trazia Deus.
Submerso em devaneios não percebeu o calor do sol que o circundava com seus raios
aquecendo a alma, os poros.
Retirou-se com o calor e foi cuidar da vida.
Luiza Lozada

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