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sábado, 22 de agosto de 2020

A varanda

 


Ele estava na varanda a contemplar o nada. Ao redor muitas bananeiras, mangueiras,

jambeiros e uma afinidade de verdes mesclados. O farfalhar delas o hipnotizava, lembrava o

Jardim do Éden.

Um palco de seres vivos, contracenando com ele. Insetos e pássaros, os ciciados e os

chalreados davam a sonoridade àquela cena. E ele perdido em pensamentos estáticos, com 

olhar vago buscava no seu âmago a bem-aventurança.

As bromélias davam um tom sutil com suas cores vermelhas, rosas e amarelas. O céu azul-

claro se desnudava aos poucos e as nuvens sopradas pelo carinhoso vento ia conduzindo-as

numa dança de sedução. E ele as perseguia, até perdê-las de vistas. As horas voavam

unidamente com aquelas aves. A natureza despojava-se e ele esquecia por instante a 

tragédia que acometia milhares de pessoas pelo vírus.

Anestesiava-se no seu silêncio e no mantra daquela essência.

Naquele momento duvidoso a apantropia lhe trazia Deus.

Submerso em devaneios não percebeu o calor do sol que o circundava com seus raios

aquecendo a alma, os poros.

Retirou-se com o calor e foi cuidar da vida.


Luiza Lozada

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